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O TEMPO jornal de fato

A China é nosso futuro!


Mario Eugenio Saturno (https://www.facebook.com/Mario.Eugenio.Saturno/ ) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), pós-graduando em Patrística pela UniItalo e congregado mariano.

Uma nação não tem identidade ideológica, um país tem interesses! Sempre me admirou o pragmatismo da Junta Militar que dominou a pátria durante o regime militar. O Iraque tornou-se socialista em plena Guerra Fria e o Brasil foi o primeiro país a reconhecer o novo governo e regime. Com isso, o Brasil conquistou algo que nenhuma outra nação conseguiu: a permissão para que as empresas brasileiras prestassem serviço, como a Braspetro, Camargo Correa, Avibrás...

Aprendi a conviver com a diversidade de pensamento em São Carlos, a Cidade Vermelha – eles se denominavam a Cidade do Clima –, estudando na UFSCar e colaborando com a restauração da Liberdade e da construção da Democracia desta Pindorama, com a nossa cara. 

A Direita do passado não tinha preconceitos. Um bom relacionamento com os Estados Unidos é essencial, mas a China tornou-se vital para nosso crescimento, como foi para Portugal na Era das Navegações. A China e a Índia tornaram os portugueses ricos e poderosos, basta observar que os franceses foram expulsos das invasões que promoveram no que viria a ser o Brasil.

O Brasil passou um ciclo de quase um século sendo a nação que mais crescia até que o Regime Militar jogou o país em uma crise interminável. Tancredo Neves e FHC iniciaram uma nova fase, mas nunca voltando ao crescimento fantástico. A China copiou o modelo brasileiro nos anos 1970 e todo ano seu PIB cresce em um ritmo assustador.

Em 1988, o Brasil e a China iniciaram o programa de cooperação em satélites que dura até hoje. Os chineses tinham determinação, mas eram pobres e também não tinham Técnica. Os tecnologistas chineses que vinham ao INPE admiravam nossa vida, tínhamos carros, apartamentos grandes, máquinas fotográficas, celulares. Hoje, parecemos mendigos perto deles. 

E eles aprenderam muito conosco. Lembro até hoje da expressão de seus rostos quando mostrei um programa de controle de satélite em órbita de duas mil linhas que entreguei funcionando em dois meses, eu dizia que era técnica e eles não acreditavam. Hoje, tenho certeza, eles mantêm o programa de satélites mais como agradecimento do que como vantagem para eles.

A China tornou o maior produtor mundial de dispositivos eletrônicos, baterias, painéis solares, geradores eólicos, aço, veículos elétricos, e muitas coisas. Embora seja um gigante exportador, muito de sua produção fica no próprio país, que se veja a produção de energia que muitos viam uma dependência sem fim do carvão, mas que começou a diminuir graças ao uso de energia solar combinado com baterias. 

A China vê o Brasil como um grande fornecedor do que mais eles precisam: soja, carne, etanol, café, celulose, petróleo. O Brasil é uma potência agroambiental, com água abundante, terras férteis, clima favorável (se as florestas forem protegidas), produção de variedades graças a Embrapa e outras instituições de pesquisa. E também de aviões.

O Brasil pode ser o que Portugal foi no século XVI, e abrir oportunidades também na Índia, Coreia do Norte e demais países do BRICS, só precisamos expurgar os imbecis que se dizem patriotas, mas lambem as botas de bilionários.




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