Prof. Evandro Ricardo Guindani Universidade Federal do Pampa - Unipampa
Eu fico indignado quando algumas pessoas criticam as famílias pobres que tem muitos filhos, ou aquelas que moram em favelas e nas periferias. Tivemos até um presidente da República, que demonstrando total desconhecimento do país, culpou as famílias que construiam casas nas encostas e em áreas de risco...
Por outro lado, nos deparamos com mansões que tomam um quarteirão inteiro, valendo mais de 10 milhões. Vocês sabem quantas pequenas casas para uma família de 5 pessoas daria para construir com esse valor? E você sabe que nessas mansões às vezes vivem apenas 3 pessoas? Sim, os pais e um filho, e mais 5 carros na garagem, jetsky, motos...
Você não fica indignado com isso? Não fica indignado com salários milionários de executivos de grandes empresas que ganham mais de 50 mil mensais? Com família de 3 pessoas que moram em apto que equivale a 2 milhões de reais? Ou que conseguem pagar um aluguel de 10 mil reais mensais? E ainda pagam 5 mil mensais de colégio do filho? E ainda nas festas tomam vinhos de mil reais a garrafa?
E você ainda tem a ousadia de criticar famílias que recebem bolsa família? Criticar que famílias pobres tem mais de 4 filhos? Será que a sua indignação não precisa ter outro foco?
Esses dias precisei fazer a escritura de um pequeno terreno que comprei. Tive que pagar 2 mil reais de taxas em cartórios para emissão de dois documentos, ou seja, duas folhas de papel. A funcionária que fez o serviço deveria ganhar um pouco mais do que o salário mínimo, porém o dono do cartório fica com o restante. São essas e outras coisas que precisam nos indignar, instituições e funções, que adquiriram grandes privilégios financeiros.
Os bancos , o sistema financeiro, grandes acionistas, ganham fortunas bilionárias às custas de milhões de trabalhadores que pagam juros diariamente. Salários de diretores de banco chegam a 62 mil reais.
E o consumismo exorbitante? E aquele milionário que paga 5 mil reais em uma garrafa de espumante ? E você fica indignado com o mendigo que pega 2 reais e toma sua cachaça.
De acordo com matéria publicada pelo Valor Econômico em 19/8/2025, “a participação do 1% mais rico avançou de 20,4% para 24,3% da renda nacional de 2017 a 2023. Mas 85,7% do crescimento nessa faixa do 1% mais rico veio daqueles que integram o 0,1% mais rico do país, com renda a partir de R$ 1,75 milhão anuais.”
O grande problema do Brasil é a concentração de renda e não o número de famílias pobres. A pobreza existe porque a riqueza está concentrada em polos de privilégios e lucros exorbitantes
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