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Antonio Carlos “Bolinha” Pereira, comunicador
Quando os Beatles surgiram, na década de 1960, eu estudava no Ginásio Marista Frei Rogério e, para fixar o aprendizado, nas aulas de inglês o professor usava letras de canções. Uma delas era a música folclórica escocesa “My Bonnie”. Aprendemos a cantar, em ritmo de valsinha, sua letra simples e repetitiva sobre a saudade e o desejo do retorno de uma pessoa querida, que está distante: “My Bonnie lies over the ocean, my Bonnie lies over the sea/ my Bonnie lies over the ocean, oh bring back my Bonnie to me.”
Um dia ouvi no rádio uma versão mais agitada de “My Bonnie”, num arranjo em ritmo de rock. Produzido pelo maestro Bert Kaempfert o disco fora gravado no ano de 1961 em Hamburgo por um cantor britânico, Tony Sheridan, acompanhado pelos Beatles (então “The Beat Brothers”). O mundo gira - em 1966 os Beatles lideravam as paradas de sucesso por mais de um mês com “Yesterday” e quem os desbancou foi Frank Sinatra cantando “Strangers in the Night” - uma composição de Bert Kaempfert.
Numa estimativa atualizada The Beatles venderam mais de um bilhão e meio de discos entre os grupos musicais, enquanto Elvis Presley, Michael Jackson e Elton John lideram os cantores individuais. Outras bandas também aparecem no topo das listas dos campeões: ABBA, Led Zeppelin, Pink Floyd, Queen, The Rolling Stones.
A dupla de compositores John Lennon e Paul McCartney é a mais regravada e festejada na história da música. Eles tinham um acordo e muitas composições individuais foram registradas em conjunto. John reconheceu que 74 composições assinadas pelo dois eram apenas dele, entre as quais “Help!”, “Strawberry Fields Forever”, “Lucy in the Sky with Diamonds”; e outras 70 da autoria de Paul: “All My Loving”, “Yesterday”, “Penny Lane” e outras.
Antes de entrar em um estúdio eles "ensaiaram" bastante, apresentando-se em boates de Hamburgo e de Liverpool, especialmente no “Cavern Club”. O empresário da banda Brian Epstein transformou seus integrantes em artistas profissionais, modelando desde os cabelos aos trajes e o produtor George Martin melhorou seu potencial musical, sendo considerado o “5º Beatle”.
Na década de 1960 o grupo formado por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr conquistou o mundo. Amplamente reconhecida como a maior e mais influente banda da história da música popular, essencial para o desenvolvimento da contracultura da década de 1960 e para o reconhecimento da música popular como forma de arte. Usando ritmos dos anos 1950 como skiffle, beat e rock and roll, mais tarde experimentaram diversos gêneros, desde baladas pop e a música indiana até a psicodelia e o hard rock e incorporaram elementos clássicos de maneira inovadora em “Yesterday” e “She's Leaving Home”.
O fenômeno Beatlemania ficou consolidado a partir de fevereiro de 1964, quando os quatro rapazes de Liverpool chegaram aos EUA para uma turnê de 16 dias. Foram ao “Ed Sullivan Show”, a primeira delas numa noite de domingo. O programa alcançou mais de 70 milhões de espectadores, a maior audiência da história até então, que os ouviu cantarm All My Loving, Till There was You, She Loves You, I Saw Her Standing There e I Want To Hold Your Hand.
Os Beatles foram a primeira banda a filmar um longa-metragem. Em 1964 foi lançado “A Hard Day's Night” (no Brasil, “Os Reis do iê, iê, iê”). Depois vieram os filmes “Help!” (1965), “Magical Mystery Tour” (1967) e “Yellow Submarine” (1968), sempre acompanhados por um disco de mesmo nome, apresentando uma sucessão de hits. Eles chegaram ao topo das paradas do mundo inteiro, quebrando recordes de audiência, vendas e público. A "Beatlemania" durou até “Rubber Soul”, o sexto álbum da banda. Era cada vez mais difícil executar as novas músicas ao vivo, por conta da maior sofisticação nas melodias. A fama intensa acabou cansando o quarteto e os “Fab Four”, que revolucionaram o rock e a cultura jovem, desistiram de fazer novas turnês. O “Quarteto Fabuloso” surpreendeu com o álbum “Revolver”, marcando o fim da Beatlemania e dando início ao rock psicodélico, especialmente na obra-prima “Sgt. Pepper's”.
O primeiro disco deles que eu adquiri foi o álbum “Revolver”, de 1966, que meu mano trouxe de São Paulo no ano seguinte. A capa é uma colagem de fotos antigas junto com desenhos da banda, em preto em branco, contrastando com as capas coloridas da época. Pelo trabalho um amigo deles, Klaus Voorman, recebeu 40 libras e um Grammy de melhor capa de disco.
A única fita cassete dos Beatles que eu tenho é uma raridade, o álbum de 1961, “The Complete Silver Beatles”. Conservo em meu “baú de colecionador” algumas preciosidades, como a série “Yellow Submarine” dos carrinhos da “Hot Wheels”, que ganhei do meu genro; a réplica do tambor da capa do álbum Sgt. Peppers; as camisetas do Liverpool FC com a estampa dos Beatles atravessando a faixa de pedestres de Abbey Road; livros, revistas, cartazes, bonecos, chaveiros, copos, canecas, relógios, óculos. Fitas VHS e DVDs de shows e filmes; alguns compactos e todos os LPs lançados (1963 Please Please Me & With the Beatles, 1964 A Hard Day's Night & Beatles for Sale, 1965 Help! & Rubber Soul, 1966 Revolver, 1967 Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band & Magical Mystery tour, 1968 The Beatles 1 & 2, 1969 Yellow Submarine & Abbey Road, 1970 Let it Be), além de alguns “bootlegs” em vinil, CD e arquivo digital: as coleções “ANTHOLOGY” com 155 músicas em 6 volumes, “MYTHOLOGY” com 71 músicas em 3 volumes (geralmente com material “descartado”), além da indispensável “Christmas Records”, com as gravações exclusivas que eles fizeram de 1963 a 1969 para o fã club.
Os discos eram caros, um LP custava o equivalente a dez por cento do salário mínimo e naqueles tempos pré-internet ouvíamos os lançamentos nas ondas curtas do rádio, pois aqui no interior as novidades demoravam a chegar.
Paul McCartney continua em plena atividade e em 2011 fomos ao Rio de Janeiro vibrar com uma multidão de beatlemaníacos num de seus shows. Em abril de 1970 ele anunciou a dissolução da banda, mas seu sucesso se estende até os dias atuais e parece não acabar, confirmando que música de qualidade não tem prazo de validade. As novas gerações continuam descobrindo suas canções, os discos continuam sendo vendidos, as músicas continuam sendo regravadas e a história continua sendo contada. Mais do que uma banda, os Beatles se tornaram um fenômeno cultural, referência artística e trilha sonora para a vida de milhões de pessoas ao redor do mundo. Pretendo voltar ao assunto para falar da “Beatlemania Brasileira”.
Para muitos, como para mim, não são apenas músicas, mas lembranças, épocas, sentimentos e momentos que o tempo não apaga. E assim, entre discos, lembranças e canções que atravessam décadas, eles continuam vivos — tocando, cantando e fazendo história, como se o tempo nunca tivesse passado.
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