Prof. Dr. Adelcio Machado dos Santos Jornalista (MT/SC 4155)
A Sociologia Econômica se configura em subárea interdisciplinar que busca compreender as interações entre economia e sociedade, analisando como fatores sociais influenciam a atividade econômica e vice-versa. Enquanto a economia tradicional tende a enfatizar os mercados como sistemas autônomos e regidos por leis racionais, a sociologia econômica argumenta que os fenômenos econômicos estão profundamente enraizados em estruturas sociais, redes de relações e normas culturais.
Destarte, um dos principais conceitos da sociologia econômica reside no de embeddedness, proposto por Karl Polanyi. Segundo essa ideia, a economia não é uma esfera separada da sociedade, mas está inserida em contextos sociais e culturais que moldam sua dinâmica. Essa perspectiva se contrapõe à visão neoclássica de que os mercados operam de maneira isolada e impessoal. Polanyi argumenta que a economia de mercado se constitui fenômeno historicamente construído, resultado de políticas e transformações institucionais que moldaram sua evolução.
Outro pensador fundamental para a Sociologia Econômica é Max Weber, que explorou a relação entre ética e desenvolvimento do capitalismo. Em sua obra "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", Weber sugere que valores culturais, especialmente aqueles promovidos pelo protestantismo, desempenharam um papel essencial na consolidação do capitalismo moderno.
Essa análise demonstra como ideologias e crenças podem impactar as estruturas econômicas, influenciando o comportamento dos agentes econômicos.
A Sociologia Econômica também se preocupa com o papel das redes sociais na organização da economia. De acordo com Mark Granovetter, as relações interpessoais são fundamentais para o funcionamento dos mercados, pois a confiança e as interações sociais afetam decisões econômicas como a contratação de funcionários, a obtenção de crédito e as negociações comerciais. A teoria das redes sociais aplicada à economia mostra que os mercados não são compostos apenas por indivíduos racionais e autônomos, mas por atores interconectados que compartilham informações e estabelecem relações de reciprocidade.
Ademais disso, a Sociologia Econômica examina as desigualdades econômicas e a forma como as instituições moldam o acesso a oportunidades. Pierre Bourdieu introduziu o conceito de capital social e capital cultural para explicar como certos grupos acumulam vantagens ao longo do tempo. Segundo ele, o acesso a recursos econômicos não depende apenas de fatores financeiros, mas também de redes de influência e conhecimentos legitimados socialmente. Essa perspectiva amplia a compreensão sobre as dinâmicas de mobilidade social e estratificação econômica.
No contexto contemporâneo, a sociologia econômica tem se dedicado a estudar fenômenos como a globalização, o neoliberalismo e a digitalização da economia. As novas tecnologias transformaram as relações de trabalho e a estrutura produtiva, criando desafios e oportunidades que impactam trabalhadores, empresas e governos. O crescimento das plataformas digitais, como Uber e Airbnb, exemplifica como a economia está em constante transformação, exigindo novas abordagens para compreender seus efeitos sociais.
Destarte, a Sociologia Econômica se estabelece como um campo essencial para analisar a interdependência entre economia e sociedade.
Em epítome, ao incorporar elementos culturais, históricos e institucionais na análise econômica, essa disciplina permite uma compreensão mais ampla e crítica dos processos econômicos, contribuindo para a formulação de políticas mais eficazes e socialmente responsáveis.
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