JOSÉ MARIA VIGIL E A TEOLOGIA DO PLURALISMO RELIGIOSO - I I
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- Adelcio Machado dos Santos
Artigo por Adelcio Machado dos Santos
A teologia pode ser definida de muitas formas, porém em seu sentido mais amplo é um conceito que já pertence ao senso comum. Teologia significa tratado ou ciência sobre Deus.
Por extensão, a teologia é toda reflexão que se faz a partir da fé sobre algum objeto ou tema adequado. Teologia é a reflexão à luz da fé.
A teoria do pluralismo religioso é sinônimo para a teologia das religiões. Este nome novo está se impondo porque os teólogos estão descobrindo que a realidade do pluralismo religioso, ou seja, a pluralidade das religiões é o grande tema, o tema central na teologia na atualidade.
Ademais as classificações, como a própria teologia, estão vivas, e pode-se observar nelas uma certa evolução: com o tempo e o diálogo vão-se criando subcategorias novas dentro das classificações, e antigas subcategorias são abandonadas ou desaparecem.
A maior novidade no campo da teologia das religiões não é o pluralismo religioso como pluralidade das religiões, mas sim, o modo pluralista de conceber as relações entre as religiões.
A valoração clássica negativa do pluralismo religioso está na origem de todos os imperialismos, invasões, conquistas, colonialismos, neocolonialismos, campanhas de proselitismo missionário que empreenderam e empreendem as religiões exclusivistas.
A mudança de valoração do pluralismo religioso faz com que a pessoa com esta nova sensibilidade logo se sinta incomodada, sufocada pelo cheiro de exclusivismo que todas as orações clássicas oficiais exalam.
O que é dito da liturgia pode ser dito da teologia, e das outras realidades e dimensões da fé.
O pluralismo religioso tem uma inevitável dimensão teórica ou teológica. A maior parte das religiões nasceu no exclusivismo, a percepção da pluralidade religiosa, hoje inevitável, propõe a cada religião a necessidade de compreender teoricamente o significado e a validade salvífica das outras religiões.
E, não pode chegar a essa compreensão a não ser a partir da compreensão teórica que cada uma tem de si mesma. Nesse sentido, o diálogo inter-religioso tem essa inevitável dimensão teórica, não é simplesmente uma questão prática, somente de relações humanas concretas.
Jor. Adelcio Machado dos Santos (MT/SC nº 4155 - JP)
Diretor da Associação Catarinense de Imprensa (ACI)
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