Por Jaime Telles Escritor e comunicador
Eleito governador em 2022 com 70,79% dos votos válidos, Jorginho Mello (PL) conquistou a maior porcentagem de votos do país, somados primeiro e segundo turnos. O dado, por si só, impressiona. Mas a política ensina: vencer uma eleição é apenas cruzar a porta de entrada. Governa-se depois.
A vitória foi fruto de uma estratégia cirúrgica e de uma trajetória longa: senador, duas vezes deputado federal, quatro vezes deputado estadual e vereador ainda aos 18 anos. A isso somou-se, sem dúvida, o peso da onda bolsonarista, determinante naquele pleito em todo o Brasil. O desafio seguinte era outro: mostrar a que veio.
Foi nesse ponto que Santa Catarina passou a conhecer um Jorginho menos discursivo e mais decisivo. O fazedor.Bolsonarista convicto, consegue algo raro: conduzir com equilíbrio os dois vieses que carrega — o político e o administrativo. Não é apenas governador; é também presidente estadual do Partido Liberal.Dois olhares de longo alcance, capazes de enxergar além da curva, inclusive quando o silêncio é mais eficaz do que o anúncio.
O patrimônio partidário fala por si:um senador, seis deputados federais, onze deputados estaduais, 93 prefeitos, 55 vice-prefeitos e 587 vereadores. Mais do que números, impressiona o método. Jorginho conhece nomes, históricos e contextos. Avalia rapidamente o grau de relevância de cada demanda e decide com objetividade onde investir tempo, energia e capital político. E, talvez mais importante, cercou-se de gente com igual discernimento, que tenta seguir o exemplo.
A equipe de governo, setor por setor, precisou adaptar-se ao ritmo de um governador de fôlego incomum. Obras se sucedem, inaugurações tornam-se rotina, projetos estruturantes avançam e erros históricos são corrigidos. Em cada entrega, Jorginho demonstra domínio do que faz e do que fala. Não improvisa narrativa: sustenta com dados e presença.
Do outro lado, a oposição observa à distância. Tenta atingir o personagem, mas revela dificuldade em compreender o fenômeno. Ensaios de candidaturas alternativas surgem frágeis, dissipam-se cedo ou buscam aproximações discretas. O principal adversário, sem fôlego político, limita-se a cumprir tabela, preservando um capital cada vez mais distante da realidade catarinense.
Ano eleitoral é, acima de tudo, ano de decisões. A mais importante delas será do eleitor, diante da urna: confirmar, satisfeito, o caminho escolhido, ou trocar, movido pela indignação. Santa Catarina, com pouco mais de 1% do território nacional, segue serena, ocupando posições invejáveis no cenário brasileiro.
Com a simplicidade costumeira, mesmo do alto da chefia do Poder Executivo do Estado, ele retorna ao Meio-Oeste cumprindo agenda oficial neste dia 20 de janeiro, nos municípios de Água Doce — “Revitalização da SC-150, trecho de Água Doce até a BR-153” — e Joaçaba — “Repasse de recursos para o Carnaval de Joaçaba 2026”.
Confesso: julgava conhecer Jorginho Mello suficientemente bem como legislador. No Executivo, porém, ele estreia com uma dinâmica inédita. Nesse ritmo, coeso com a nova onda bolsonarista que ele ajuda a construir, não será surpresa se os números que o levaram ao Palácio se tornarem, em breve, apenas um piso, nunca um teto.
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