Projeto farmacêutico que pode superar R$ 100 milhões será implantado em Tijucas |
AG Santé Pharma prevê investimento inicial de R$ 50 milhões em operação voltada à Oncologia, Hematologia e tratamentos especiais; projeto inclui futura implantação de parque fabril em Santa Catarina
Tijucas vai receber um novo investimento na área da saúde que poderá superar R$ 100 milhões ao longo de sua implantação. A AG Santé Pharma prepara a instalação de uma operação farmacêutica especializada em medicamentos de maior complexidade, com foco principalmente nas áreas de Oncologia, Hematologia e tratamentos especiais.
O projeto prevê um investimento inicial de aproximadamente R$ 50 milhões em uma área já adquirida no município catarinense. O planejamento foi estruturado em etapas e começa pela implantação da estrutura física, técnica, regulatória e operacional da empresa. Com a evolução do projeto para um parque fabril farmacêutico, o volume total de investimentos poderá mais que dobrar.
A chegada da AG Santé Pharma ocorre em um momento em que Santa Catarina começa a ampliar sua presença em um segmento industrial de maior intensidade tecnológica. O movimento também acompanha uma estratégia nacional de fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde e de ampliação da capacidade brasileira de produzir medicamentos e outras tecnologias consideradas estratégicas.
Na primeira etapa, a unidade de Tijucas deverá contar com uma estrutura dedicada ao controle de qualidade de produtos farmacêuticos desenvolvidos e produzidos por empresas internacionais parceiras. Paralelamente, a companhia pretende avançar nos processos de licenciamento, autorizações e registros necessários para introduzir seu portfólio no mercado brasileiro.
A previsão inicial é trabalhar no registro de pelo menos dez medicamentos. Uma parcela importante do portfólio será formada por terapias de administração oral, em comprimidos e cápsulas, incluindo medicamentos utilizados no tratamento de diferentes tipos de câncer. Entre os princípios ativos previstos estão enzalutamida e abiraterona, utilizadas em tratamentos de câncer de próstata; lenalidomida, empregada, entre outras indicações, no tratamento do mieloma múltiplo; axitinib, utilizado em determinados casos de câncer renal; imatinib, empregado em tratamentos como o da leucemia mieloide crônica; e capecitabina, utilizada contra diferentes tipos de câncer.
Para Arthur Freitas Rasmussen, CEO da AG Santé Pharma, a presença de terapias modernas de administração oral também acompanha uma transformação na abordagem do tratamento. “Isso está alinhado a uma evolução importante da medicina: buscar tratamentos eficazes e seguros, mas que também possam, sempre que clinicamente possível, trazer maior conveniência e menor impacto na rotina dos pacientes”, afirma.
O portfólio inclui ainda medicamentos destinados a outros tratamentos de maior complexidade. Cada produto deverá percorrer individualmente as etapas regulatórias previstas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), incluindo os estudos técnicos aplicáveis para comprovação de qualidade, segurança e eficácia.
“Quando falamos de câncer, não estamos falando apenas de uma doença. Estamos falando de pessoas e de famílias inteiras que atravessam períodos extremamente difíceis. Por isso, queremos que a AG Santé Pharma tenha como princípio buscar inovação e qualidade, mas também contribuir para uma saúde cada vez mais voltada ao cuidado, à dignidade e ao conforto do paciente durante o tratamento”, acrescenta Rasmussen.
Produção em Santa Catarina
A estratégia de longo prazo prevê que Tijucas deixe de exercer apenas funções de controle de qualidade e suporte aos produtos importados e passe gradualmente a incorporar processos produtivos. A expectativa é que essa evolução ocorra à medida que forem concluídas as diferentes etapas regulatórias, técnicas e industriais.
O horizonte inicialmente projetado para alcançar a fase de produção farmacêutica em Santa Catarina é de três a quatro anos. A implantação, entretanto, dependerá do avanço dos processos regulatórios e das demais etapas previstas no planejamento da companhia.
A intenção é transformar a unidade em uma plataforma de desenvolvimento e produção de medicamentos de maior complexidade, ampliando progressivamente a participação de processos realizados no Brasil. Além do investimento direto, a operação poderá gerar demanda por profissionais especializados e estimular fornecedores e prestadores de serviços ligados às áreas farmacêutica, laboratorial, logística e tecnológica.
O movimento ocorre em meio ao esforço brasileiro para reduzir a dependência externa de produtos e tecnologias de saúde. A política industrial nacional estabeleceu como uma de suas metas ampliar para 70%, até 2033, a parcela das necessidades brasileiras de medicamentos, vacinas, equipamentos, dispositivos e outros insumos e tecnologias de saúde atendida pela produção nacional.
Tijucas diversifica economia
A escolha de Tijucas também insere um novo segmento na matriz econômica de um município que atravessa forte expansão urbana e populacional. Segundo o IBGE, a cidade tinha 51,6 mil habitantes no Censo de 2022 e chegou a uma população estimada superior a 58 mil habitantes em 2025. Para o prefeito Maickon Campos Sgrott, a implantação de uma operação farmacêutica pode contribuir para que esse crescimento seja acompanhado pela diversificação da atividade econômica e pela criação de postos de trabalho de maior qualificação.
“Minha expectativa tem nome e sobrenome: é o filho do tijucano que hoje estuda Farmácia, Química, Engenharia e acha que vai ter que ir embora para trabalhar na área. O emprego qualificado que estava em outros centros poderá estar perto de casa”, afirma.
Segundo o prefeito, o município vem buscando atrair atividades que reduzam a dependência de setores tradicionais e acompanhem a transformação econômica provocada pelo crescimento da cidade. “Quando uma cidade cresce assim, ela tem duas opções: virar dormitório ou virar referência. Nós escolhemos a segunda”, completa.
Para a AG Santé Pharma, a implantação do parque fabril representa a etapa mais ambiciosa de uma estratégia construída para avançar gradualmente. “Nosso propósito é unir ciência, tecnologia e humanidade. E, a partir dessa primeira etapa, nosso planejamento prevê evoluir para a implantação de um parque fabril farmacêutico em Tijucas, ampliando nossa capacidade de contribuir para a saúde e para o desenvolvimento da indústria farmacêutica brasileira”, conclui Rasmussen.
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