Prof. Evandro Ricardo Guindani Universidade Federal do Pampa - Unipampa
“Vote em fulano… siga seu coração”... Foi isso que ouvi em uma inserção de propaganda eleitoral na rádio… A única coisa que você não pode é seguir apenas suas emoções para votar… Inclusive nenhum tipo de sentimento deve ser decisório para você votar. Sentimento de gratidão, de raiva, paíxão, amor, não podem determinar sua escolha eleitoral. Esse é o grande problema da democracia atualmente, as pessoas colocam a emoção à frente da razão. Não há como separar razão e emoção dentro de nossas escolhas, porém o que está acontecendo atualmente é um predomínio dos sentimentos em relação à racionalidade. Discussões acaloradas em grupos familiares, redes sociais são pautadas muitas vezes em sentimentos de ódio e raiva ou uma cega paixão por determinados candidatos e partidos.
A cegueira é tanta, que certa vez, fiquei sabendo que em bolos de aniversários não colocavam o número correspondente aos anos comemorados, por ser igual ao número de determinado partido. Foram dois aniversários em que duas pessoas comemoravam 17 e 13 anos, e as velas no bolo foram (16+1 e 12+1). Isso parece motivo para rir, mas não! Isso é motivo para chorar, isso expressa a perda da racionalidade no campo político.
O predomínio da emoção sobre a racionalidade política, faz com que o diálogo e a discussão de argumentos lógicos seja substituído pela defesa de crenças fechadas. E aqui entra outro casamento perigoso: religião + partidos. Para piorar, lideranças religiosas com grande interesse político-partidário, fazem seus fiéis se vincularem religiosamente aos seus candidatos preferidos. E como se dá esse vínculo? Se dá por meio do encaixe de alguns temas políticos dentro do binômio “deus” e “diabo”; “bem” e “mal”. E aí surge um casamento ainda mais potente: emoção + fé + política. Essa tríade é mais potente e prejudicial para a racionalidade a tal ponto da pessoa perder a noção da própria realidade e a memória política. Tudo o que essa pessoa ouvir de crítica sobre seu candidato, essa tríade (emoção + fé + razão) é responsável por traduzir como perseguição do “pessoal do mal”. O campo emocional aliado ao religioso é extremamente perigoso porque pode alimentar governos autoritários. E já vivemos isso nos EUA onde o presidente está perseguindo e matando imigrantes latinos, e seus eleitores, tomados pela emoção e fanatismo, estão aprovando tudo isso.
Por isso, para escolher seu candidato, você precisa avaliar, quais políticas públicas defendem seus candidatos? Que concepção de sociedade, modelo econômico defendem, e como isso melhor atende nosso País ou Estado? E não se apegar em frases e vídeos de redes sociais…
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