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O TEMPO DE FATO

A Facção do Judiciário.

Professor Me. Ciro José Toaldo

Não há como acompanhar tantas falcatruas relacionadas ao maior tribunal de justiça brasileiro e não ficar indignado. Qualquer cidadão, ao fazer uso do sistema jurídico, acredita, em tese, ter respaldo para que a justiça aconteça. Entretanto, notar que membros da corte mais alta estão envolvidos em corrupção demonstra que essa justiça se torna podre e tendenciosa.

Este é o cenário que estamos observando, de forma estarrecida, em relação a vários membros do STF, que se julgam superiores a tudo e a todos. O agravante de toda essa história é o viés político que o tribunal acabou abraçando. Para a defesa de seus apadrinhados, todas as artimanhas e manobras estão sendo usadas por um grupo que busca defender o conluio firmado quando cada membro foi empossado neste cargo.

A prova maior desta facção ocorreu quando vários membros do todo-poderoso tribunal simplesmente jogaram o trabalho da Lava Jato no lixo, absolveram o líder envolvido naquela operação, tiraram-no da prisão e o transformaram em presidente da República do Brasil. Este fato por si só demonstra como estamos sendo administrados por essa facção. Mas a podridão é bem mais forte do que se imagina, pois por quais razões o Congresso Nacional, principalmente por meio do Senado Federal, não toma uma atitude para abrir processo de impeachment contra alguns destes ministros que se intitulam como 'deuses'?

Diria que a resposta se relaciona com o dito popular: 'estão com o rabo preso', ou seja, a podridão está contida nas três esferas dos poderes da República. E, neste amplo aspecto, fica outra grande indagação, um tanto perigosa: para que votar em 4 de outubro, sabendo que um único poder, que se constitui em facção, comanda todo o país?

Obviamente não se deve colocar todos os membros destes três poderes no mesmo saco; temos muita gente boa lutando diuturnamente para acabar com essa facção e dela tirar seus privilégios.

Assim sendo, deixar de acreditar no processo democrático e não ir votar na próxima eleição somente irá piorar a situação, e a facção ficará ainda mais poderosa. Portanto, conclamo o leitor a ir votar de forma bem consciente.

Outra questão importante, mesmo diante da crise instaurada no STF, refere-se às ações do ministro André Mendonça — que parece não estar envolvido no conluio daquele tribunal. Haverá, em 15/09, uma sessão plenária extraordinária para debater e decidir sobre a grave crise institucional que atinge os membros da Corte. Ora, em se tratando de um grupo articulado, podemos de antemão prever os resultados. Não duvido que o penalizado ainda seja o próprio ministro André Mendonça, por não desejar fazer parte do esquema, uma vez que vem demonstrando as ligações do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, preso devido ao escândalo do Banco Master.

Na verdade, a situação que se instaurou no maior tribunal do Judiciário brasileiro é a grande demonstração do que o poder, o dinheiro, o fisiologismo e a corrupção podem fazer com um país. Desde a minha adolescência, ouvia o político pernambucano Marco Maciel (1940-2021), vice de FHC em seus dois mandatos, discursar sobre o poder e sua importância. Em minha opinião, para os caciques da política brasileira, pouco importa a dimensão do povo; o objetivo é tirar proveito do poder em benefício próprio.

Como poderia ser diferente a condução da nossa história político-jurídica se o poder, em todas as suas esferas, fosse conduzido por grupos que deixasse de buscar apenas a defesa de seus próprios interesses. Infelizmente, grande parte esquece que o poder pleno, em uma verdadeira democracia, emana do povo e deveria servir ao interesse de todos, e não aos privilégios de uma facção.

Pense com profundidade nestas questões! Quatro de outubro está bem próximo!


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