Antonio Carlos “Bolinha” Pereira, nascido em Joaçaba em 1950
Prezados leitores, peço licença para falar do que Joaçaba representa em nossas vidas e recordar um pouco de História.
Na noite de 3 de junho de 1967, ano do cinqüentenário do Município, aconteceu um concurso para escolha do Hino de Joaçaba, no Clube Dez de Maio. A comissão julgadora foi composta pelos maestros Luiz Fernando Coelho, de Curitiba, Roberto Kel (de Florianópolis), o prefeito Udilo Antonio Coppi, a professora Marina Rodrigues e Luiz Gonzaga Bonissoni (que havia sido presidente da Câmara de Vereadores de Capinzal nas décadas de 1940 e 1950 e foi o primeiro prefeito eleito no vizinho município de Ouro, cargo que ocupou de 1963 a 1969). O Hino enche de orgulho os corações dos joaçabenses; a letra foi escrita pelo saudoso poeta Miguel Russowsky e a música composta pelo Sr. Letefala Jacob (natural de Taubaté - SP e, na ocasião, funcionário do Banco do Brasil). A letra, em placa de bronze, está afixada na frente da Prefeitura.
50 anos depois, o jovem maestro hervalense Luiz Fernando Spessatto compôs o jingle do nosso centenário: “Um pedacinho do Oeste que de mil encantos se veste, onde o sol vem se deitar melhor cantinho não há. Nesse vale de beleza, presente da natureza que o poeta inspirou e a arte aflorou, onde a vida te convida a viver, aqui é o melhor lugar pra crescer! Nossa gente hospitaleira, de raça, de fé, de força, guerreira. Joaçaba faz cem, Joaçaba faz bem. Viver Joaçaba é ser feliz também! 100 anos de história, de trabalho, união, na batida que emana do coração.”
A colonização de Joaçaba principiou no início do século passado, quando descendentes de italianos e alemães vieram do Rio Grande do Sul. Como as rodovias eram precárias, a ferrovia foi a grande impulsionadora do progresso em toda a região Oeste de Santa Catarina e teve importância decisiva para transportar as pessoas e a riqueza produzida na região, promovendo o escoamento da produção e o abastecimento dos colonizadores.
Até 1930 a ligação entre Joaçaba e Herval d’Oeste era feita por balsa, e por ordem do Presidente da República Washington Luiz foi construída sobre o Rio do Peixe a ponte Emílio Baumgart, a maior do mundo em viga reta de concreto armado, técnica estudada até hoje por alunos de engenharia, e foi levada pela enchente devastadora de 1983.
Joaçaba, qualificada na diversificação e qualidade profissional, é um centro de atividades econômicas, serviços, comércio e cultura, numa região com mais de 300 mil habitantes. A Capital Catarinense do Carnaval oferece variadas opções gastronômicas, boas escolas formando cidadãos, ensino superior de qualidade, excelentes serviços médico-hospitalares, arranha-céus que justificam o epíteto de “a menor metrópole do Brasil”.
Quando fui convidado a presidir a Comissão do Centenário de Joaçaba, contei com pessoas dispostas a colaborar para oferecermos a melhor comemoração possível e, diante das dificuldades crescentes, concentramos esforços em um ambicioso legado: “perenizar a nossa História em um livro, a maneira encontrada para demonstrar o profundo amor que temos a esse bendito pedaço da terra catarinense”, como já havia se referido o Dr. Alexandre Muniz de Queiroz, responsável pela publicação, em 1967, do Álbum do Cinquentenário.
E, graças ao empenho pessoal de dois mestres, Antônio Diomário de Queiroz, Presidente de Honra da referida Comissão e Aristides Cimadon, à época Magnífico Reitor da Unoesc, que cumpriu a promessa e entregou à comunidade cinco mil exemplares do Livro do Centenário, o qual retrata de maneira muito competente e fiel vários segmentos.
Agora o professor Cimadon recebeu o título de “Doutor Honoris Causa” em uma noite emocionante da celebração dos 30 anos da Unoesc como universidade, marcada pelo lançamento oficial do livro comemorativo “A Universidade do Oeste de Santa Catarina em sua trajetória histórica”.
Os textos do livro são riquíssimos em detalhes, uma inesquecível viagem ao passado, mostrando que Joaçaba inaugurava em 1949 o primeiro aeroporto do interior catarinense e em 1965 o segundo autódromo do país, uma cidade pioneira e de vanguarda à sua época, que tinha cinemas desde a década de 1930 e nos anos 60 o maior e melhor cinema do estado, o Cine Vitória, com 1.500 poltronas estofadas, um luxo!
Celebrar os 109 anos de Joaçaba é reconhecer a trajetória de um município que ajudou a construir a história do Meio-Oeste Catarinense. Mais do que recordar fatos, datas e personagens, é preciso preservar a memória daqueles que, com trabalho, coragem e espírito comunitário, transformaram uma pequena localidade em uma cidade que se tornou referência em educação, cultura, empreendedorismo e qualidade de vida.
Que esta data seja, acima de tudo, um convite para valorizarmos as nossas raízes e fortalecermos o sentimento de pertencimento. Afinal, as cidades são feitas pelas pessoas e pelas histórias que elas deixam como legado. Parabéns, Joaçaba, pelos seus 109 anos. Que o futuro seja tão grandioso quanto o passado e que as próximas gerações continuem escrevendo, com orgulho, novos capítulos dessa terra tão querida.
O tempo passa e confirma: Joaçaba segue seu destino de bem receber, bem acolher. Ao invés de continuar escrevendo, vou lhe convidar: venha visitar Joaçaba e Herval d’Oeste, olhe ao seu redor e contemple: parece que as cidades nos abraçam! Seus morros simbolicamente nos envolvem e protegem — e lá do alto o Santo Local, o Bem-Aventurado Frei Bruno, parece concordar: é bom morar aqui, viver nessa Terrinha abençoada, de povo hospitaleiro e amigo.
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