AURAS DO PALCOA experiência de Jaime Telles na condução de eventos |
Prof. Dr. Adelcio Machado dos Santos Jornalistas (MT/SC 4155)
Preliminarmente, o Dia do Folclore, celebrado em 22 de agosto e representa importante ensejo para reconhecer, valorizar e preservar as manifestações culturais que fazem parte da história e da identidade de um povo. No Brasil, a data foi oficializada em 1965, por meio do Decreto nº 56.747, com a finalidade de destacar a importância do folclore nacional e incentivar sua divulgação nas instituições de ensino e nos diferentes espaços da sociedade.
DA palavra “folclore” tem origem na expressão inglesa “folk-lore”. O termo é formado por “folk”, que significa povo, e “lore”, que significa conhecimento ou saber. Portanto, folclore pode ser entendido como o conjunto de conhecimentos, costumes, crenças e tradições populares transmitidos entre as gerações. A expressão foi utilizada pela primeira vez em 22 de agosto de 1846, pelo pesquisador britânico William John Thoms. Por esse motivo, a data de 22 de agosto foi escolhida para celebrar o folclore.
Do mesmo modo, o folclore está presente no cotidiano das pessoas de diferentes maneiras. Ele pode ser identificado nas histórias contadas pelos mais velhos, nas cantigas de roda, nas brincadeiras infantis, nos trava-línguas, nas adivinhas, nos provérbios, nas festas populares, nas danças, nas músicas, no artesanato, nas receitas tradicionais e nas crenças de cada comunidade. Essas manifestações são importantes porque registram conhecimentos e experiências construídos coletivamente ao longo do tempo.
Entretanto, o folclore brasileiro é especialmente rico e diversificado. Essa diversidade está relacionada à formação histórica e cultural do país, marcada pela contribuição dos povos indígenas, africanos e europeus, além de diferentes grupos de imigrantes que chegaram ao Brasil em diversos períodos. Cada um desses povos trouxe costumes, crenças, conhecimentos, ritmos, festas, alimentos e formas próprias de compreender o mundo. A convivência entre essas culturas contribuiu para a formação de um patrimônio cultural amplo e variado.
Outrossim, Entre as manifestações mais conhecidas do folclore brasileiro avultam as lendas. Elas são narrativas populares que misturam elementos reais e imaginários e procuram explicar acontecimentos, fenômenos da natureza, características de determinadas regiões ou comportamentos humanos. Geralmente, essas histórias são transmitidas oralmente, passando de pais para filhos e sofrendo algumas modificações ao longo do tempo.
O Saci-Pererê é um dos personagens mais conhecidos do folclore brasileiro. Representado como um menino negro de uma perna só, que usa um gorro vermelho e fuma cachimbo, ele é conhecido por realizar travessuras, esconder objetos, assustar animais e atrapalhar as tarefas domésticas. Apesar de suas brincadeiras, o Saci também é considerado um profundo conhecedor das florestas e das plantas medicinais.
Outro personagem importante consiste no Curupira, conhecido como protetor das matas e dos animais. Ele é geralmente representado como um menino de cabelos vermelhos e pés virados para trás. Segundo a lenda, suas pegadas confundem os caçadores e as pessoas que entram na floresta para destruir a natureza. A história do Curupira transmite uma importante mensagem sobre a necessidade de respeitar e proteger o meio ambiente.
Igualmente, a Iara, também chamada de Mãe-d’Água, é uma personagem ligada aos rios e às águas. A lenda conta que ela possui uma voz encantadora e atrai os homens que navegam ou caminham próximos aos rios. O Boitatá, por sua vez, é descrito como uma grande serpente de fogo que protege as matas contra incêndios e pessoas mal-intencionadas. Também fazem parte do imaginário popular personagens como a Cuca, o Boto-cor-de-rosa, a Mula sem Cabeça, o Negrinho do Pastoreio e a Vitória-Régia.
Ademais das lendas, o folclore brasileiro está presente em inúmeras festas e celebrações. As Festas Juninas são exemplos importantes, pois reúnem danças, músicas, roupas, brincadeiras e comidas típicas. O Bumba Meu Boi, muito conhecido nas regiões Norte e Nordeste, combina teatro, dança, música e personagens populares. O Carnaval, o Maracatu, a Folia de Reis, a Congada, o Frevo, o Fandango e o Círio de Nazaré também demonstram a riqueza e a diversidade das tradições existentes no país.
Cada região brasileira apresenta manifestações folclóricas próprias. Na Região Norte, destacam-se o Festival de Parintins, as lendas amazônicas e o Carimbó. Na Região Nordeste, encontram-se o Bumba Meu Boi, a literatura de cordel, o Frevo, o Maracatu e diversas festas religiosas. Na Região Centro-Oeste, são comuns manifestações como a Cavalhada, o Cururu e o Siriri. Na Região Sudeste, destacam-se a Congada, a Folia de Reis, as festas do Divino e as tradições caipiras. Na Região Sul, aparecem o Fandango, o Boi de Mamão, as danças tradicionais e as narrativas relacionadas à cultura dos povos que formaram a região.
As brincadeiras populares também fazem parte do folclore. Amarelinha, esconde-esconde, pega-pega, pular corda, cabra-cega, bolinha de gude, pião e passa-anel são exemplos de atividades transmitidas entre as gerações. Mesmo diante do crescimento do uso de celulares, computadores e jogos eletrônicos, essas brincadeiras continuam sendo importantes, pois estimulam a convivência, a criatividade, a imaginação, o movimento corporal e a cooperação entre as crianças.
De outro vértice, a culinária é outra forma de expressão folclórica. Muitos pratos e receitas tradicionais revelam a história e os costumes de determinada comunidade. Alimentos como pamonha, canjica, paçoca, acarajé, tapioca, feijoada, chimarrão, cuscuz e bolo de milho fazem parte da cultura alimentar brasileira. As receitas costumam ser ensinadas dentro das famílias e preparadas especialmente durante festas, comemorações e encontros comunitários.
De sua parte, a escola desempenha um papel fundamental na preservação do folclore. Ao trabalhar esse tema, os professores podem incentivar os estudantes a conhecer as manifestações culturais de sua comunidade, entrevistar familiares, pesquisar histórias locais, participar de brincadeiras tradicionais, aprender cantigas, produzir textos e reconhecer a diversidade cultural brasileira. Esse estudo deve ir além da apresentação de personagens folclóricos, promovendo uma compreensão mais ampla sobre os diferentes modos de viver, pensar e produzir cultura.
Configura-se importante compreender que o folclore não pertence apenas ao passado. Ele permanece vivo e continua se transformando. Novas formas de comunicação podem modificar a maneira como as histórias e os costumes são transmitidos, mas a cultura popular continua presente na vida das comunidades. Algumas tradições são adaptadas, outras recebem novos significados e muitas permanecem como forma de resistência e preservação da memória coletiva.
Outrossim, valorizar o folclore tsignifica respeitar as pessoas e os grupos responsáveis por manter essas manifestações. Povos indígenas, comunidades quilombolas, artesãos, músicos, contadores de histórias, mestres da cultura popular, grupos de dança e moradores de comunidades tradicionais possuem conhecimentos que precisam ser reconhecidos e protegidos. Suas práticas não devem ser tratadas apenas como curiosidades, pois representam formas legítimas de conhecimento e expressão cultural.
Em epítome, a preservação do folclore depende da participação da família, da escola, do poder público e da sociedade. É necessário registrar histórias, apoiar festas tradicionais, proteger os espaços culturais, valorizar os artistas populares e incentivar as novas gerações a conhecer suas origens. Quando uma tradição deixa de ser praticada e transmitida, parte da memória e da identidade de uma comunidade pode desaparecer.
Por final, o Dia do Folclore deve ser entendido como um momento de reflexão e valorização da cultura popular. Mais do que recordar lendas e personagens, essa data permite reconhecer a diversidade do povo brasileiro e a importância dos conhecimentos construídos coletivamente. Preservar o folclore é manter viva a memória das comunidades, fortalecer o sentimento de pertencimento e garantir que costumes, histórias e tradições continuem sendo compartilhados com as futuras gerações.
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