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O TEMPO DE FATO

AURAS DO PALCOA experiência de Jaime Telles na condução de eventos


Escritor, palestrante, apresentador e mestre de cerimônias, Jaime Telles fala sobre uma atividade em que boa voz e desenvoltura ajudam, mas não bastam. Para ele, conduzir um evento exige leitura de ambiente, repertório, domínio do tempo e capacidade para decidir em poucos segundos.

     Entrevista

O TEMPO — Que fatores o aproximaram e o tornaram tão presente neste segmento?

Jaime Telles — Eu diria que é por afinidade e pela satisfação de atender em momentos tão sensíveis. Motiva-me o desafio de lidar e aprender com os mais variados assuntos, desde uma simples reunião até os eventos mais suntuosos e protocolares. A maioria das pessoas evita tanta exposição.

O TEMPO — Então, falar bem ao microfone não é suficiente?

Jaime Telles — Não. Boa voz, dicção e desenvoltura são ferramentas importantes. Mas pesa muito mais saber o que fazer com elas. É preciso ler o ambiente, dominar o tempo, perceber as reações do público e ter segurança para tomar decisões. Cada evento tem aura própria.

O TEMPO — E qual é o papel do roteiro?

Jaime Telles — Procuro participar da elaboração do roteiro, mas nem sempre é possível. Ele define cada etapa, os personagens e as ações técnicas, estabelecendo uma espécie de rito coerente com o assunto e com o tempo conveniente. O apresentador não estará no roteiro, mas é a voz do evento, que aponta o quê, quem, como e o porquê de toda a programação.

O TEMPO — O que os eventos têm de especial?

Jaime Telles — Cada evento é especial, porque significa o ápice da confiança, pois sua preparação implica muitos detalhes e cuidados e, ao final, tudo é confiado a alguém que vai conduzir a parte que mais aparece. A performance desse profissional deve confirmar a eficiência da organização.

O TEMPO — Eventos corporativos, oficiais e culturais exigem posturas diferentes?

Jaime Telles — Completamente. Em cada caso, é preciso compreender a identidade e a mensagem da organização. Admito que o evento cultural contempla maior liberdade. É complexo, mas eu aprecio: sentir a plateia, interagir com ela, acelerar ou desacelerar, criar expectativa e, inevitavelmente, perceber a hora de sair de cena e deixar fluir aquilo que o evento traz.

O TEMPO — Um grande evento é necessariamente mais difícil?

Jaime Telles — Não. Às vezes, um evento para poucas pessoas exige mais cuidado. Num ambiente pequeno, qualquer detalhe ganha enorme dimensão. Os grandes eventos quase sempre contam com o envolvimento de profissionais de outras áreas, que se relacionam diretamente com o apresentador. Em ambos os casos, ele precisa ter luz própria, ou qualquer obstáculo representará grande risco.

O TEMPO — Depois de tantos eventos, como você define seu trabalho?

Jaime Telles — Pela palavra “condução”. Por diversas vezes tive o prazer de ouvir: “Que bom que você está aqui.” Isso remete à confiança, à qual me referi há pouco. Todo evento é desafiador, porque segue por sobre uma linha fina e frágil. Aí eu costumo lembrar que todos têm o direito de ficar tensos, menos eu. Conduzi-lo é assumir responsabilidade, com zelo e frieza diante daquilo que tiraria o sono da maioria.

O TEMPO — Existe diferença entre apresentador, animador e mestre de cerimônias?

Jaime Telles — Sim. São diferentes. O apresentador conduz a programação e faz a ligação entre suas etapas. O animador trabalha diretamente com a energia e a participação do público. Já o mestre de cerimônias segue o protocolo, com formalidade e precisão. Daí a necessidade de conhecer cada cenário e atender ao que o evento precisa e, às vezes, nem tudo está escrito.

O TEMPO — Aí entra o improviso?

Jaime Telles — Sim. Mas só onde convém. E não pode ter cara de improviso. Isso exige repertório, argumento e domínio da situação. Entre possíveis imprevistos, pode haver situações engraçadas, queda de objeto, falha técnica etc. Isso torna indisfarçável o improviso, que pode ocorrer de forma breve e oportuna, apenas para retomar a normalidade.

O TEMPO — Em cerimônias oficiais existe espaço para improvisar?

Jaime Telles — Existe muito menos. O protocolo deve ser seguido à risca: ordem de autoridades, pronunciamentos, símbolos, homenagens, composição de mesa. Mas formalidade não precisa significar lentidão nem rigidez. Uma cerimônia pode ser absolutamente formal e, ainda assim, ter leveza, ritmo, fluidez e naturalidade. Se esses cuidados estão presentes, o improviso sutil cumpre o seu papel com naturalidade.

O TEMPO — De onde vem esse repertório?

Jaime Telles — Vem do interesse pessoal. Tenho gosto e predileção pela oratória, que está intimamente ligada à literatura, à poesia, à música, à experiência institucional, à convivência com autoridades e diferentes públicos e até a situações de bastidores. Mas cada evento exige critério que só serve ali, naquela situação. Esforço-me para somar ao evento naquilo a que ele se propõe.

O TEMPO — Sua trajetória fora dos palcos contribuiu para isso?

Jaime Telles — Certamente. Fui locutor de rádio, apresentador de TV e assumi cargos de confiança nas três esferas de governo. Apaixonado pelo conhecimento, tornei-me membro de instituições onde o debate franco entre pensadores amplia horizontes. Isso me remoça e requalifica a cada experiência.

O TEMPO — O que permanece igual quando muda o palco?

Jaime Telles — O princípio de que todo evento de aura própria. Aconteça o que acontecer, o público deve sair com a sensação de que tudo deu certo e de que os aplausos foram merecidos.

O TEMPO — Em evento recente você esteve em Capinzal. Onde mais?

Jaime Telles — Com muita honra, atuei como apresentador do 6º FEINC, em Capinzal, no 9º Canto Novo, de Erval Velho, além de outros pela região e também nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Goiás. O próximo compromisso será neste final de semana, no Paraná, no 28º Fevanoi — Festival de Valores Novos do Vale do Ivaí, em Ivaiporã, onde estarei pela terceira vez consecutiva.

O Jornal “O TEMPO” agradece a gentileza da entrevista e o cumprimenta pelo profissionalismo.

Jaime Telles

Reside em Joaçaba desde 1995.
Autor do livro Caminhos e Descaminhos da Oratória.
Diretor Literário e Orador do Teatro Alfredo Sigwalt, de Joaçaba.
Membro e orador do Instituto Histórico e Geográfico do Oeste Catarinense.
Membro da Academia de Letras do Brasil de Santa Catarina (ALBSC).
Foi membro do Conselho Estadual de Cultura de Santa Catarina.
Autor de diversos hinos oficiais públicos e institucionais.
Produtor e coordenador de eventos artísticos e culturais.

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“Todos têm o direito de ficar tensos, menos eu.”

Crédito fotos:  ASCOM- Acessória de Comunicação da Prefeitura de Capinzal


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