logo RCN
O TEMPO jornal de fato

Religião e falso moralismo: a vida dupla

Prof. Evandro Ricardo Guindani Universidade Federal do Pampa - Unipampa

As religiões tradicionais, como cristianismo e judaísmo, por exemplo, nos apresentam a proposta de crença em um ser perfeito. A busca pela perfeição e santidade é um dos elementos centrais dessas religiões. Uma das formas de demonstrar uma vida coerente com esse “deus perfeito”, é demonstrar ter um comportamento afinado com os preceitos dessas religiões.

Essa busca pela perfeição, apregoada por algumas lideranças religiosas, acaba por contrariar a própria condição humana, marcada pela imperfeição, pelo erro, pela dúvida, incerteza. A fé em um “deus perfeito” acaba levando as pessoas a mostrarem uma falsa perfeição, uma falsa moral dos bons costumes.

Se vestem de maneira “perfeita”, andam de maneira “perfeita”, mas entre quatro paredes, ou às escondidas, acabam vivendo outra vida escondida de seus “irmãos de fé”. 

Quanto mais rígida for a religião, maior será a punição para a atitude considerada errada ou imperfeita. Diante disso, maior é o esforço dos fiéis em demonstrarem que estão agindo corretamente e perfeitamente. É um tipo de educação que estimula a vida dupla, que estimula a mentira, a ocultação das atitudes verdadeiramente humanas, marcadas pela imperfeição. Cada vez mais, casos de traição e relações extra conjugais marcam a vida de lideranças religiosas.

A religião acaba prejudicando a convivência com a condição humana do inacabamento, da dúvida. A fé, ao invés de levar a pessoa a mergulhar no mistério da existência, é um instrumento de fechamento, de falsa certeza, pois como ter certeza de algo que não se vê, que não se evidencia, apenas se imagina ?

Determinadas denominações religiosas se pautam mais em regras e padrões de comportamento, do que em estímulo à evolução humana. Valorizam mais a expressão externa de comportamentos do que a experiência interior. Crianças são obrigadas a frequentar cultos, missas, catequeses, escolas bíblicas. O que ocorre com crianças, jovens e adolescentes que são levadas a fazer algo que não faça sentido para elas? Buscam fugas, formas de extravasar, de relaxar, o que pode levar ao desenvolvimento de vícios e compulsões.

Adolescentes e crianças que recebem este tipo de formação religiosa tradicional, agem diante dos pais, professores, dentro dos padrões exigidos e aceitos, porém, quando estão sozinhos, no computador ou celular assumem outros comportamentos totalmente diferentes.

Essa pedagogia religiosa tradicional estimula o falso moralismo e vida dupla, formando homens machistas, violentos, alcoolistas ou abusadores. Não adianta nada, demonstrar uma vida correta,  deixando de beber ou fumar se continua praticando assédio, corrupção e mentira.

Nos meus 50 anos de idade eu chego à conclusão de que a adesão a uma religião, tem feito mais mal do que bem às pessoas. Os ateus, muitas vezes, são menos racistas, preconceituosos e humanamente mais evoluídos.


O TEMPO jornal de fato desde 1989: 

https://chat.whatsapp.com/IENksRuv8qeLrmSgDRT5lQ

https://www.facebook.com/aldo.azevedo.5/

https://www.facebook.com/otempojornaldefato/

O Tempo de fato (@otempojornalfato) - Instagram

https://www.youtube.com/@otempojornaldefato

DOIS TIPOS DE BRASIL! Anterior

DOIS TIPOS DE BRASIL!

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA –   O VIGOR DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA Próximo

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA – O VIGOR DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

Deixe seu comentário