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Destruição da Saúde Pública em nível nacional
Com o fechamento, talvez momentâneo do Hospital São José, aliado a essa consequência, Capinzal aceita acabar com uma excelente equipe médica formada ao longo do tempo e deixa de contar com profissional anestesista, o que impossibilita realizar cirurgias de urgência, pois o sistema de levar pacientes para outros centros, sendo que muitos casos poderia resolver em território capinzalense, no entanto, resulta em contribuir por esvaziar a cidade.
O Hospital encerrou as suas atividades e está fechado em caráter definitivo, os funcionários estão sendo dispensados e feito os procedimentos dos direitos trabalhistas, ainda, foram pagos os fornecedores locais e interestaduais. Quanto aos serviços de Radiologia, não pertence ao Hospital, sendo algo independente, o qual vai continuar plenamente em funcionamento, não sendo algo que pertence ao hospital, porém, são dependências cedidas.
Segundo o médico e diretor do Hospital São José, Pedro Lelis Panis, o Poder Legislativo votou pela aprovação de isenção de imposto predial (IPTU) e ISS, entretendo o Executivo não acolheu e nem cumpriu a lei. A Constituição contempla sociedades beneficentes, sendo que não pode ser imputado tributos municipais, então, caso não houver uma negociação pretende-se buscar na justiça o direito, sendo que a instituição São José não tem fim lucrativo, e sim, investe em equipamentos e na melhoria do hospital.
“É preciso ver de uma maneira macro, pois, existe um processo de destruição da saúde em nível nacional, muito intenso aqui em nosso Município. Todos os dias se vê hospitais fechando, em nossa região dentro dos próximos dias deverá fechar mais dois a três. Por que disto? A saúde no Brasil ela só é importante em véspera de campanha política, talvez seja o setor mais mal administrado da história, até porque a primeira queixa da população nas pesquisas é a saúde, depois educação e em seguida segurança. Passam os governos e não está sendo contempladas essas três ações essenciais à população. A tabela do SUS não é reajustada entre 18 e 19 anos, não tendo como resistir com tamanha defasagem, sendo inviável e impossível”, assim Panis se manifestou sobre a questão que precisa ser visto com melhores olhos e estar inserida na prioridade das esferas municipais, estaduais e federal.
Para que o Hospital possa voltar abrir as suas portas e retomar o atendimento aos cidadãos já não depende mais de Panis, mesmo a casa hospitalar até funcionava muito bem, sempre mantendo a qualidade do atendimento e serviços prestados, então preferiram fechar as portas da instituição em momento que estava em alto nível, sendo que no dia 30 Junho quando encerrou as atividades, fizeram 60 cirurgias para os munícipes de Capinzal, Ouro, Joaçaba, Herval d’Oeste, Erval Velho, enfim, contemplando 31 municípios. “O Hospital São José talvez tinha mais importância fora da cidade do que para Capinzal, pois, aqui vinha se socorrer. A Sociedade Beneficente assim que acerte suas contas a ideia é extinguir, a qual provavelmente possa ser a sociedade mais antiga e tradicional de Capinzal quando ainda estava em atividade”, lembra da importância e valor do Hospital São José.
A população já sobrecarregada de impostos, sendo massacrada no país, então não é justo que ela tenha de contribuir para uma entidade que deve sobreviver por conta própria e quando essa não consegue permanecer na atividade, não é culpa administrativa, sendo que apresentavam um dos melhores custos hospitalares do Estado em auto eficiência. “A questão problemática é o não reajuste da Tabele do SUS, o que não só inviabilizou este nosso Hospital, como todos os demais do Brasil. É uma questão de política pública federal fechar todos os hospitais abaixo de 100 leitos, já do Estado fechar as casas hospitalares com menos de 50 leitos. Sendo que ambos os casos dois colaboradores do Hospital São José, sendo que um ouviu do secretário de Estado e outro escutou de ex-ministro da Saúde, que se tratava de saúde pública usar dessa ação. Eles tem outra visão de saúde, que aparentemente não vem dando certo”, assim Panis traz ao conhecimento o que vem ocorrendo em nível nacional.
O Hospital São José no dia seu fechamento estava funcionando cem por cento, não faltava nenhuma medicação, nem as refeições, tudo em dia, pararam no estilo do que é mesmo a Sociedade Beneficente, oferecendo tudo para seus pacientes. O Hospital não caiu de nível, ninguém reclamou de falta de alguma coisa, só que a instituição estava mensalmente gerando prejuízo, em torno de dez a 12 mil reais, o que não era muito, pois a administração era cem por cento enxuta, tinha uma equipe excelente e eficiente em decorrência de cursos e aperfeiçoamentos. Para Panis a grande perda técnica foi o desmonte da equipe do Hospital São José, que se levou muito tempo para formá-la, aliado a isto veio a transferência de cidade de Capinzal para Mafra do anestesista (antes podia realizar cirurgia de urgência, muitas delas complexas, agora estão impedidos por falta de colaboradores).
Para Panis e nós também achamos que está havendo um esvaziamento da cidade, pois, quando se leva muitos pacientes para fora, deixava-se de fazer em Capinzal, propriamente no Hospital São José cirurgias ortopédicas, cirurgias plásticas, cirurgia à vídeo (laser), cirurgias abdominais e ginecológicas, era uma gama muito grande de procedimentos. Agora estes pacientes que não podem mais serem atendidos em Capinzal, terão de procurar estes serviços em outros centros, e todos sabem a dificuldade de encontrar facilmente estes serviços fora, a exemplo, de Florianópolis ou nas cidade vizinhas. Os hospitais que são referência não tem mais como atender cirurgias eletivas, por estarem sobrecarregados, porque os hospitais de pequeno e médio porte estão fechando, portanto, toda a carga de responsabilidade está caindo sobre estas casas hospitalares que não podem dar vazão a grande quantidade de pacientes.
Nos últimos anos a direção do Hospital São José investiu em dois leitos de monitoração total, um novo bloco cirúrgico com a melhor monitoração que tinha no mercado, ou seja, a sobra de recursos se aplicou em tecnologia, numa maneira de cumprir com a sua missão. O que acontece, que não há retorno de nenhum setor público (federal, estadual e municipal) para que estas entidades permaneçam, sendo que elas não tem mais condições de sobreviver. A dívida dos hospitais filantrópicos no Brasil, dizem, segundo os estudos vai fechar este ano com R$ 16 bilhões. Isto é impagável, sendo uma soma astronômica. E por que acontecesse isso? É que o Governo não repassa o custo dos procedimentos.
O que acontecesse com os hospitais que estão fechando, sendo que as prefeituras assumem o risco e não a sociedade, sendo que o Governo Municipal paga o passivo. Quanto ao caso de Piratuba e Ipira, ambas as Prefeituras estão subsidiando os serviços, até porque o hospital continua dando prejuízo, mas, o poder público vem bancando. No caso do hospital de Campos Novos a Prefeitura para manter o hospital aberto dá um incentivo quase astronômico, sendo que o mesmo está acontecendo em Fraiburgo e outros mais, até porque o problema é estrutural. “Quando uma Prefeitura assume um hospital o custo vai para as nuvens, pois, sabemos que as Prefeituras são má administradas, pois, o setor público é ineficiente no Brasil, o que é histórico. O setor público assumindo o hospital o custo e o prejuízo aumenta e muito”, assim vê Panis e boa parte dos entendidos na área de saúde pública.
A saúde pública no Brasil está muito doente, é claro que uma estrutura que funcionou por 70 anos muito bem, é uma perda considerada irreparável. Quanto ao Hospital Nossa Senhora das Dores poder ou não atender a demanda, poderá ser visto dentro de alguns meses. “Uma coisa é certa, o hospital de referência é o Santa Teresinha que tem em torno de 100 leitos, vem atendendo uma população em torno de 300 mil pessoas, porém, não tem estrutura física para tanto, sendo inviável isso, e como vem fechando vários hospitais da região, vai sobrecarregar mais ainda. O que se vê hoje, hospitais com macas nos corredores, uma pressão muito grande sob a área médica, descontentamento tanto do profissional que atende, tanto de quem vai receber o atendimento, por ser uma questão estrutural, não sendo má vontade, e sim, por falta de espaço. O Brasil está prendendo diariamente dezenas de leitos, sendo más notícias nos jornais, televisão e outros sobre saúde, não sendo considerada essencial e nem prioridade no país”, sendo uma triste realidade também informada por Panis.
Quando Prefeitura leva um paciente, tendo transporte para tanto, o que poderia ser resolvido na comunidade local com custo mais baixo e de maneira eficiente. Com essa prática, tirando pessoas para outros centros, se esvazia o Município, consequemente a medicina poderia ser um atrativo para a cidade, na geração de receita e de prestação de serviços. A mentalidade nos dois municípios coirmãos, e não é de agora, a de exportar pessoas para fora, sendo que muitos dos casos poderiam ser resolvidos aqui muito bem e com especialistas. Na medida que realmente se destrói o sistema de anestesias e de especialistas, aí sim, vai ter de chegar ao ponto de remover os pacientes.
A evolução do processo que vem se agravando resultou em duas clínicas e uma farmácia com suas portas abertas em frente de um hospital que encerrou suas atividades de atendimento à saúde pública. “Por que se optou por se fechar o hospital? Um hospital que tem nome, sendo 82% das pessoas da vasta região do Oeste de Santa Catarina sabem o que é o Hospital São José, e 80% é lembrado em nível regional como marca, e 79% lembram da casa hospitalar como muito bom serviços. Então preferimos fechar o Hospital, do que um dia sair na imprensa, seja boatos ou rumores que faltou alguma coisa ou alguém foi mal atendido. O Hospital cresceu, prestou grandes serviços e morreu com dignidade”, assim encerrou a entrevista Panis.
O médico e diretor do Hospital São José, Pedro Lelis Panis e Família do saudoso Pedro Luiz Toaldo, ainda a equipe médica bem tentou manter os serviços de atendimento médico e hospitalar, mas, a destruição da saúde pública nas três esferas impossibilita continuar com as portas abertas depois de 70 anos e 16 dias de plena atividade. Uma perda irreparável que os capinzalenses, ourenses e da microrregião irão sentir e muitos daqui a alguns meses.
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