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Capinzalense é orador da turma

José Guilherme cola grau no curso de Direito na UFSC

 

 
O TEMPO – um jornal de fato, recebeu e-mail enviado pelo capinzalense José Guilherme Surdi, que no último dia 28 de fevereiro colou grau no curso de Direito na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Para nós, capinzalenses, é uma honra e motivo de orgulho em saber que mais um conterrâneo cola grau na UFSC, principalmente por ter sido orador da turma, portanto, a ele nossa homenagem e reconhecimento pelo feito.
A seguir o pedido feito por Guilherme, o qual prontamente lhe atendemos, sendo assim descrito:
Aldo Azevedo (jornalista): Meu nome é José Guilherme Surdi, sou filho de Gilmar Surdi e Teresinha de Souza (a Tetê), e no último dia 28 de fevereiro, quinta-feira, colei grau em Direito na Universidade Federal de Santa Catarina, em cerimônia na qual proferi discurso, tendo em vista que fui escolhido Orador.
Como sou capinzalense e tive grande parte de minha formação educacional nesta terra, primeiro enquanto aluno do então Grupo Escolar Municipal Viver e Conhecer, depois do já extinto Colégio Cenecista Padre Anchieta – CNEC acho importante compartilhar com toda comunidade local, dentre a qual possuo inúmeros amigos e colegas, minha conquista e as palavras que enunciei naquela oportunidade.
Dentre os poucos capinzalenses formados até hoje pela Faculdade de Direito da UFSC, gostaria de evocar a memória de dois ilustres egressos que entraram para a história: Paulo Macarini, formado em 1957, e Vitor Almeida, formado em 1965.
Assim sendo, encaminho-lhe cópia de meu discurso, bem como uma foto minha de beca, logo após receber o grau, com meus pais e minha irmã, Kássia Carolina Surdi, estudante de Medicina da Universidade Federal de Pelotas.
Entrego esta homenagem também ao meu irmão, João Leonardo Surdi, que cursa Engenharia de Produção Mecânica, igualmente na UFSC, e que não pôde estar presente naquele momento, eis que se encontra atualmente na Alemanha, realizando seu estágio de final de curso.
Por fim, gostaria de registrar que dedico esta conquista e este discurso aos meus queridos avós maternos, Manoel José de Souza e Jacinta Rita de Souza, e paternos: Gentil Surdi e Ilda Bresola Surdi.
Aos meus valentes e corajosos pais, Gilmar e Teresinha, deixo o agradecimento eterno pela oportunidade única concedida, de realizar meu sonho de estudar na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Santa Catarina; e por todas as sofridas batalhas diárias, necessárias à materialização deste, e pelo inesquecível e incansável exemplo de força, amor, superação e esperança - minha incalculável, inestimável e irrevogável gratidão.
Um grande abraço,
José Guilherme Surdi
De Florianópolis para Capinzal, em 4 de março de 2013, segunda-feira.
 
 
Acreditar nos sonhos é fazer a vida valer a pena
 
Boa tarde indistinto a todos.
É com humildade e orgulho que agradeço à minha turma pela confiança e pela oportunidade de representá-los neste momento.
Escrever um discurso é como desobstruir caminhos, abrir rotas ou desbravar estradas: você geralmente sabe de onde parte e para onde vai, mas só o trajeto vai realmente dizer por onde irá passar e se você efetivamente chegará ao destino almejado.
Ao contrário do que geralmente se enuncia nesta tribuna, revelo que nossa turma nunca foi exemplo de integração profunda, festas inenarráveis ou de histórias homéricas.
Nossa distinção, contudo, reside no fato de que aprendemos a nos respeitar, na medida de nossos limites, de modo cordial e sincero, ainda que sejamos, em essência, intensamente diferentes. E é nesse exercício de alteridade, portanto, e nas amizades que formamos, essas sim para a vida toda, que reside nossa maior virtude.
Encantados pela tradição da faculdade de direito da Universidade Federal de Santa Catarina, e pelo fato de que este é o único curso público de direito deste Estado, algum dia cada um de nós foi magnetizado por sua existência.
Há cinco anos, individualmente, logramos êxito ao alcançar o sucesso da conquista da aprovação, adentrando ao Centro de ciências jurídicas pelo mesmo início de caminho, seja por sonho, contingência ou convenção.
Fato é que, e devo registrar por dever ético, como a grande maioria das instituições, há muito ainda o que ser feito em relação à essência de nossa formação.
Espero, com convicção, que os anos tragam ainda mais serenidade, compromisso e dedicação aos nossos coordenadores, chefes e diretores: a Faculdade de Direito precisa aprofundar seu caráter de excelência, assumindo, sem receio ou rodeios, os deveres e as responsabilidades que possui, por seu relevo e história.
Hoje, passados 81 anos desde sua fundação, ocorre um momento mágico à Faculdade de Direito: formam-se aqui e agora as primeiras turmas compostas após a implementação do programa de ações afirmativas.
Aos críticos incorrigíveis e opositores sistemáticos das políticas nacionais de inclusão, deixo o registro de minha humilde experiência: não houve, no curso dos cinco últimos anos, qualquer diferencial a segregar os alunos ingressantes pelo sistema. Repito: nenhuma diferença.
Apesar de não ter ingressado por meio das vagas reservadas ao sistema, sou entusiasta do modelo, para além de todas as razões técnicas e teóricas, por um só motivo: ele é, em última instância, um instrumento real de mudança na sociedade. E o mundo inteiro está, ao contrário do tentam nos ensinar, à nossa espera, havido por mudança.
E aqui faço um apontamento, talvez o mais valioso deles: o compromisso com a transformação social não é impeditivo à independência individual e às conquistas e êxitos profissionais de cada um, antes disso, é, sobretudo, dever para com um universo de indivíduos que foram ceifados das mesmas oportunidades a nós conferidas por nossas existências.
O direito, por si só, não opera qualquer transformação no mundo concreto. Ele precisa ser operado. É um veículo. E essa metáfora nos leva a um raciocínio lógico: algumas reconduções deste veículo, com base na realidade, se afiguram urgentes.
A superação de posturas e condutas preconceituosas, reacionárias, mercadológicas, patriarcais e fisiológicas é um dever geracional que possuímos.
Um posicionamento crítico perante a vida, em defesa da pluralidade e da democracia, é o caminho mais nobre que podemos percorrer no exercício do direito, eis que se constitui, com toda certeza, no mais difícil deles. Digo difícil porque a busca por uma vida real, não fantasiosa, mais justa, igual e livre, desprovida de violências e opressões, não é tarefa leve e desembaraçada.
O manto do conservadorismo, que interdita o debate profundo e franco e necessário sobre questões como interrupção da gravidez, uso de entorpecentes, políticas criminais, e positivação dos direitos civis homoafetivos, é o mesmo que ainda não se deu conta do caráter inaceitável da fome e da miséria, e da conclusão mais do que óbvia, de que a quase totalidade dos nossos problemas em sociedade, há décadas, é gerado pelas nossas inaceitáveis desigualdades sociais.
Logo, o exercício de nossa profissão, como operadores do direito, ou seja, ela qual for, deve ser sempre recoberto por valentia, hombridade e respeito pela humanidade e à vida humana plena – aqui entendida como aquela livre de exploração, opressões ou dor.
E é com esse espírito de ventura, coragem e destemor que quero encerrar este momento simbólico.
Desejo a todos aqui presentes leveza de espírito e quietude de alma.
Que sejamos dotados da sabedoria do tempo, que possamos enfrentar a realidade como ela é, e que não haja medo dos obstáculos ou negação dos impeditivos que existem, nada é, nem pode parecer impossível de mudar.
Que tenhamos calma e perseverança, porque a verdadeira felicidade só reside naqueles que se respeitam plenamente, de modo visceral, nevrálgico e irrestrito, do primeiro dos fios de cabelo até a última das unhas dos pés.
Se a vida é fugaz, irrefreável e irrepetível, e não há classe social, sucesso individual, patrimônio ou recurso tecnológico que possa impedir seu transcurso, que sejamos então profundamente despretensiosos, que saibamos apreciar a existência do outro, e que nos amemos, muito, intensamente, sem exceções.
Que possamos, na maior medida possível, convivermos conosco mesmos e com os outros em concórdia, que sejamos simples e sinceros, recheados por aquele equilíbrio único que é mérito de quem se tolera, e que nossas vidas sejam imensas e intensas, especialmente marcadas por desafios vitoriosos, realizações vibrantes e esperanças inesgotáveis. 
Deixo aqui um trecho do escritor alemão Rainer Maria Rilke, que foi redigido no livro “Cartas a um jovem poeta”, datado de 1903, há exatos 110 anos atrás, mas que me parece contemporâneo como poucos:
“Você é tão jovem! Tem diante de si todo o começo… Gostaria de lhe pedir, da melhor maneira que pudesse, meu caro, que você tivesse paciência em relação a tudo que não está resolvido em seu coração. Peço-lhe que tente ter amor por essas perguntas que rondam sua existência feito sombras intransponíveis. Como se você tivesse à sua frente quartos fechados que não pudessem ainda ser abertos, ou como se deparasse com livros que desejasse ler, mas sem poder, já que esses estariam escritos numa língua desconhecida de ti. Não investigue agora as respostas que não lhe podem ser dadas, porque você não poderia nem chegar a vivê-las. E é disto que se trata, esse singelo pedido, de você viver tudo. Viva agora as perguntas. Talvez você passe, gradativamente, em um belo dia, e sem ao menos perceber, a viver as respostas que tanto procura.”
Não há vida sem amor, e não deve haver limites para amar, e se amar.
Muito obrigado.
 
José Guilherme Surdi com seus familiares comemorando o feito, sendo ele um dos poucos capinzalenses que cola grau na UFSC no curso de direito e ainda foi orador da turma.
 
 
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