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- 11 de março de 2026
- Economia agrícola
A intensificação das tensões internacionais em março de 2026 acendeu um alerta no agronegócio de Santa Catarina. O fechamento de rotas
marítimas estratégicas no Estreito de Ormuz, somado à manutenção de sanções no Leste Europeu, já provoca impactos diretos sobre custos,
logística e previsibilidade no fornecimento de insumos ao Estado.

e importações do agronegócio catarinense entram em zona de risco com a
escalada dos conflitos internacionais (Foto: Arquivo/Secom)
escalada dos conflitos internacionais (Foto: Arquivo/Secom)
O cenário de instabilidade no Oriente Médio pressiona a competitividade do setor ao elevar o custo do frete marítimo, encarecer
seguros e aumentar o risco operacional das exportações. Dados do Observatório Agro Catarinense indicam que, em 2025, as exportações do agronegócio catarinense
para países diretamente e indiretamente afetados pelo conflito somaram cerca de US$ 915 milhões, volume superior ao destinado à União Europeia no mesmo período. Mesmo com a queda dos preços internacionais, houve crescimento dos embarques físicos, especialmente para mercados como Irã,
Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Israel.

Segundo Roberth Villazon Montalvan, analista de socioeconomia e desenvolvimento agrícola da Epagri/Cepa, o Irã concentra hoje um dos
maiores níveis de risco para Santa Catarina. “Em 2025, houve queda de 1,3% no valor exportado, mas aumento expressivo de 57,7% no volume embarcado, que superou 151 mil toneladas. Isso representa o envio de grandes volumes de grãos para uma zona de conflito ativo, elevando significativamente os riscos logísticos, financeiros e comerciais”, afirma.
A interrupção de rotas no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho tem efeitos imediatos sobre a logística catarinense. Atrasos e desvios de
navios impactam a operação dos portos de Navegantes, Itapoá e São Francisco do Sul, reduzindo a disponibilidade de contêineres de retorno
das zonas de conflito refrigerados, essenciais às exportações de proteínas animais. O resultado é a alta do frete marítimo e o risco de
saturação das retroáreas portuárias e das câmaras frias das agroindústrias do Estado.
Importações
O conflito amplia os riscos também pelo lado das importações. Santa Catarina depende fortemente de fertilizantes e ureia para o cultivo do
milho, base da alimentação das cadeias de aves e suínos. Países do Oriente Médio, como Omã, Catar, Bahrein, Arábia Saudita, Egito e Irã,
estão entre os principais fornecedores desses insumos ao Brasil, o que aumenta a vulnerabilidade do setor diante de bloqueios logísticos e da
alta do petróleo.
Com o encarecimento dos fertilizantes,
do diesel e do transporte interno, as margens de produtores rurais e frigoríficos ficam ainda mais pressionadas. Soma-se a isso o risco de
alterações unilaterais em tarifas de importação por países da região, em um ambiente de forte instabilidade geopolítica. O Brasil mantém acordos comerciais, via Mercosul, com mercados estratégicos como Israel e Egito, junto com a região de Palestina, além de negociações com o Líbano, o que poderia em parte mitigar a exposição do agronegócio catarinense a decisões repentinas pelos países com quem não tem acordos comerciais vigentes.
No mercado financeiro, os reflexos já são visíveis, com queda de 4,99% no Ibovespa e pressão cambial, com o dólar chegando em torno de R$ 5,20, dificultando o planejamento da próxima safra. Por outro lado, o câmbio elevado pode ampliar a receita em reais das exportações que
consigam ser redirecionadas. No mercado interno, cresce o risco de excesso de oferta de proteína animal caso os embarques sejam
interrompidos, pressionando preços, margens e a capacidade de armazenagem frigorificada.
Diante desse cenário, ganham espaço alternativas de fornecimento de fertilizantes, como Marrocos, Canadá e China, ainda que sem acordos
preferenciais com o Brasil. “O cenário exige que o setor produtivo catarinense intensifique o planejamento de estoques de insumos e busque a
diversificação de rotas comerciais. A manutenção do rigor sanitário permanece como o principal ativo de Santa Catarina para garantir acesso a mercados menos voláteis em tempos de crise”, conclui Villazon Montalvan.
Por Cristiele Deckert, jornalista bolsista Epagri Fapesc
Informações para a imprensa
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