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Prof. Me. Ciro José Toaldo
Vivemos inseridos em uma sociedade individualista, repleta de conceitos que, muitas vezes, conduzem à discórdia e ao desamor. Nesse contexto é difícil pensar em gratidão, pois imaginamos que o agradecimento só deve ser manifestado ao receber algo, como um favor, uma ajuda, uma oportunidade ou uma palavra amiga.
Contudo, precisamos nos despir do individualismo e do comodismo, sair do nosso “casulo” e compreender que a verdadeira gratidão vai além de um simples “muito obrigado”: ela se manifesta em nossas atitudes, no reconhecimento do bem que recebemos e na disposição de também fazer o bem.
Ao sairmos desse comodismo e ter a consciência da dimensão espiritual, podemos compreender que a gratidão é algo mais profundo. Ela representa o reconhecimento do bem recebido e nos convida a transformar esse sentimento em atitudes.
Esse é o desafio da gratidão: ser grato pelas oportunidades oferecidas para desenvolver nossas virtudes, sobretudo diante das dificuldades que nos ajudam a vencer o egoísmo. Essa é uma dimensão advinda da prática de nossa espiritualidade, pois agradecer por uma boa notícia é fácil. Mas, como ter gratidão em momentos de profunda tristeza ou quando os planos não acontecem como desejávamos?
Entretanto, são nessas situações desafiadoras que se compreende o ensinamento de Kardec sobre o esforço necessário para se praticar o bem; sendo oportunidades para o exercício da gratidão, não pelo sofrimento em si, mas pelo aprendizado, pelo crescimento e transformação que alcançamos ao atravessá-lo.
São experiências que nos convidam à superação, à renúncia, ao perdão e, sobretudo, à prática verdadeira do bem. Tais situações contribuem para fortalecer o Espírito e ensinam o valor da gratidão por se ter a oportunidade de crescer, mediante a experiência vivida. Pergunte-se: O que essa experiência me ensinou? Qual sentimento devo transformar? Como posso sair dessa situação, sendo uma pessoa melhor?
Mudar não é fácil, pois requer vontade, determinação e esforço. Mesmo que não se possa escolher as experiências da vida, se pode escolher como enfrentá-las e qual a lição que ela nos traz.
Viver é uma arte e requer reflexão. Não empurre a vida com a barriga, mas seja o seu condutor. Pratique a gratidão; faça o bem e reflita sobre suas ações.
Não somos perfeitos e estamos em processo de aprendizado e transformação. Mantenha a sua consciência tranquila, reconheça suas imperfeições, sabendo que quando vamos buscando a transformação, estamos no caminho do crescimento.
Ao deitar-se com serenidade reflita sobre o que recebeu ao longo do dia. Analise quais foram as oportunidades encontradas, as pessoas que te compreenderam, te perdoaram, te auxiliaram e ofereceram uma palavra amiga. Bem como pense nos desafios enfrentados, pois é difícil, ser grato e praticar o bem justamente para com aquele que nos humilha, ou simplesmente nos ignora!
Se conseguirmos, mesmo diante das experiências negativas, encontrar um sentido para a gratidão, teremos descoberto uma poderosa força de transformação. Afinal, a verdadeira gratidão não está apenas em agradecer pelo que nos faz bem, mas em transformar até mesmo aquilo que nos fere em oportunidade de aprendizado, crescimento e prática do bem.
Assim sendo, seja grato, viva conforme sua consciência, triste é viver em função da aparência social. Faça de sua existência um grande momento para aproveitar as oportunidades em fazer o bem, sem olhar para quem e desenvolva a plena caridade. Agradeça pela sua vida e por todos aqueles que o ajudaram a chegar até este estágio de sua existência. Acima de tudo, demonstre sua gratidão vivendo de maneira que o bem recebido não termine em você, mas passe adiante.
Apenas dizer: “Obrigado, meu Deus, pelo que recebi”, pode representar uma atitude ainda individualista. Melhor será agradecer por meio da própria vivência, transformando a gratidão em ação e serviço. Como nos ensinam tantos Espíritos evoluídos que passaram por este plano terreno, podemos afirmar: “Agora, Senhor, permita-me também servir.”
Ótima reflexão! Seja feliz!
Até o próximo!
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