Prefeitura de Campos Novos promove leilão eletrônico de bens públicos |
Professor Me. Ciro José Toaldo
Tenho a convicção de que a maioria dos meus leitores não contribuiu para a concretização do título deste artigo. Enfim, no sistema democrático — caso ainda devêssemos chamá-lo dessa forma —, faz-se necessário ter preparo, determinação e, sobretudo, estômago para digerir as “trapaças” e as ações de um ministro militante do STF, que concedeu uma benesse de última hora ao seu apadrinhado.
Tudo parece ter sido permitido para se chegar a este resultado, que considero medíocre, pois foram inúmeras as ações desencadeadas na campanha eleitoral por quem detém a máquina pública e conta com a estrutura dos poderes constituídos. Diante desse cenário, surgem questionamentos legítimos sobre a lisura do processo eleitoral, inclusive em relação à confiabilidade dos resultados apresentados pelas urnas.
Não bastasse essa manipulação, outro comportamento nefasto desse grupo que, há tantos anos, ocupa posições centrais no poder e soube, com habilidade, ampliar sua influência nos diversos setores do Estado, cercando-se de aliados fiéis, defensores de suas ideologias e de seus interesses.
Além disso, recorreu a estratégias que, na minha avaliação, contribuíram para fazer com que parcelas mais vulneráveis e menos informadas da população se acostumassem a receber benefícios mínimos, sem que lhes fossem asseguradas condições efetivas para superar a pobreza e conquistar maior autonomia. Em vez de romper com as raízes da miséria, essa lógica pode acabar perpetuando a dependência e a vulnerabilidade social.
Sendo assim, será que vivemos em um país de plena democracia? Ou será que a democracia corre o risco de se transformar em um mero jogo de aparências, sustentado por interesses políticos e pela busca incessante da perpetuação no poder?
E o que significa, afinal, essa mediocridade? Em seu sentido mais comum, remete à banalidade, ao pouco valor, à baixa qualidade e à condição de quem se acomoda, não procura ir além do mínimo necessário e aceita a estagnação como se ela fosse inevitável. Infelizmente, temo que esse possa ser um dos legados mais prejudiciais dessa escolha política para as próximas gerações. O resultado das urnas, por si só, não determina o futuro de uma nação, mas as decisões tomadas a partir dele podem produzir consequências profundas e duradouras.
Não acredito que o Brasil necessariamente se transformará em uma Venezuela. Entretanto, receio que possamos enfrentar um processo de empobrecimento econômico e social de grandes proporções, com consequências particularmente duras para os jovens, que precisarão conviver com as oportunidades que lhes forem oferecidas — ou negadas — nos próximos anos.
Preocupa-me, ainda, a participação de jovens que foram às ruas em defesa desse projeto político, especialmente quando a mobilização é influenciada por visões ideológicas que não estimulam o confronto de ideias e o pensamento independente. Se isso ocorreu em determinados ambientes educacionais, é preciso questionar tais práticas e defender uma educação comprometida com a pluralidade, a liberdade de pensamento e a formação crítica dos estudantes.
O tempo, como sempre, se encarregará de revelar as consequências das escolhas feitas no presente. E talvez muitos daqueles que hoje celebram esse resultado venham a perceber, no futuro, o custo das decisões que ajudaram a legitimar.
Resta-nos esperar que o Brasil não precise pagar um preço demasiadamente alto para compreender os erros que, na minha avaliação, estão sendo cometidos. A história não costuma cobrar suas contas imediatamente, mas as gerações futuras acabam herdando as consequências das escolhas feitas pelas gerações que as precederam.
Infelizmente, perdemos uma oportunidade de sair do buraco, de melhorar nossas condições de vida e de nos tornarmos menos pobres antes que o envelhecimento nos alcance.
Para não sucumbirmos completamente ao desânimo, resta-nos depositar esperanças na nova composição do Congresso Nacional. Que seus integrantes, especialmente aqueles identificados com a direita, exerçam com responsabilidade o mandato que receberam, fiscalizem o Poder Executivo, defendam a transparência e não se deixem seduzir por acordos escusos ou vantagens particulares.
Que não se vendam, não traiam a confiança dos eleitores e, acima de tudo, não nos envergonhem. O Brasil precisa de representantes que coloquem os interesses da população acima dos interesses partidários e pessoais.
Até o próximo!
O TEMPO jornal de fato desde 1989:
https://chat.whatsapp.com/IENksRuv8qeLrmSgDRT5lQ
https://www.facebook.com/aldo.azevedo.5/
https://www.facebook.com/otempojornaldefato/
O Tempo de fato (@otempofato) - Instagram
https://www.youtube.com/@otempojornaldefato
Deixe seu comentário