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O CRIME COMPENSA?

Professor Me. Ciro José Toaldo

Essa questão pode ser respondida por qualquer cidadão de bem, educado nas premissas dos bons costumes e do fiel conservadorismo; para estes, o crime jamais compensa. No entanto, ao buscarmos entender a dimensão dessa problemática em âmbito macro, diversos fatores devem ser levados em consideração. Este texto não abordará tais situações sob a perspectiva global, focando exclusivamente na realidade dentro de nossas fronteiras.

A polêmica em torno deste assunto ganhou notoriedade nos últimos dias, após o governo norte-americano decidir classificar facções brasileiras do crime organizado como organizações terroristas. Embora a medida amplie as ferramentas para sanções financeiras e bloqueios internacionais, especialistas divergem sobre os impactos práticos da decisão para o Brasil e alertam para os riscos diplomáticos que o enquadramento impõe.

O atual governo assumiu as dores desses grupos e partiu para ataques à administração dos EUA. Outro fator diz respeito ao principal rival político e eventual candidato à Presidência da República, que se encontrou com Trump na Casa Branca, ocasião em que esse tema também foi discutido.

Portanto, discutir sobre crimes no Brasil torna-se algo profundo, indo muito além de meras questões ideológicas! Primeiro, é preciso observar as leis existentes sobre essa temática, adentrando a legalidade, a criminalidade e o terrorismo. São pontos jurídicos que precisam ser considerados. Entretanto, existem as anuências e brechas na lei que são utilizadas em favor do próprio ente que comete o crime. E essa é uma dimensão dos profissionais formados em Direito, que buscam estudar e analisar cada 'cliente' que devem defender ou acusar.

A criminalidade organizada representa um desafio estrutural no Brasil. Aproveitando-se de lacunas deixadas pelo Estado em regiões de alta vulnerabilidade, essas facções exercem controle sobre grandes comunidades. Além disso, investigações apontam para a preocupante tentativa de infiltração dessas organizações na política, buscando financiar campanhas para garantir a proteção de seus interesses. Essa dinâmica criminal, com possíveis ramificações sistêmicas, é frequentemente um ponto de atenção nas agendas de cooperação internacional e segurança.

Não são apenas os grupos políticos que são financiados por tais organizações; outras esferas de poder também podem estar coniventes com elas. Lembre-se de que, na República, há três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. É amplamente debatido e preocupante o risco de que o crime organizado consiga se infiltrar e exercer influência nessas três esferas.

Escrever a esse respeito é complicado, angustiante e amedrontador, exigindo discernimento. Contudo, enquanto nos restarem o direito e a liberdade de expressão — sabendo que podemos perdê-los a qualquer momento —, devemos ter a coragem de nos manifestar e expor nossos pontos de vista.

Muitos se recordam de episódios em que autoridades do governo visitaram comunidades sob influência de grupos criminosos e foram recebidas de forma pacífica, enquanto, em outras ocasiões, agentes públicos e forças de segurança enfrentaram resistência violenta. Diante desses fatos, surgem questionamentos sobre a relação entre o poder público e áreas dominadas pelo crime organizado, bem como sobre a efetividade das políticas de combate a essas organizações.

Da mesma forma, decisões envolvendo os direitos políticos de pessoas privadas de liberdade costumam gerar debates intensos na sociedade. Enquanto alguns defendem restrições mais amplas, outros argumentam que determinados direitos fundamentais devem ser preservados conforme a Constituição. Nesse contexto, é natural que surjam discussões sobre os impactos dessas decisões e sobre o que elas revelam acerca das instituições e dos rumos do país.

Sem entrar no mérito da interferência norte-americana em outros países, há quem argumente que determinadas intervenções dos Estados Unidos ocorreram em nações marcadas pela atuação do narcotráfico, de regimes autoritários ou por graves crises institucionais. Defensores dessa visão afirmam que, em alguns casos, parte da população recebeu essas ações de forma positiva, acreditando que poderiam contribuir para mudanças políticas e melhoria das condições de vida. O caso da Venezuela costuma ser citado nesse debate, embora as opiniões sobre os resultados dessas intervenções permaneçam profundamente divididas.

Vivemos em uma sociedade marcada por uma crescente inversão de valores. Em muitos aspectos da vida social, aquilo que deveria ser valorizado — como a honestidade, a segurança, o respeito, a responsabilidade e a empatia — frequentemente perde espaço para a busca desenfreada por status, aparência, superficialidade e vantagens pessoais e políticas.

Essa inversão de valores leva a refletir sobre as causas do crime organizado. Enquanto formos levados a pensar somente em poder e sucesso, estaremos sujeitos às fatalidades geradoras do individualismo e da falta de empatia, podendo gerar uma sociedade de acéfalos. Será este nosso destino?

Sendo assim, refletir sobre crime, terrorismo e outras ações contrárias a uma vida social com liberdade e segurança requer pensar no tipo de sociedade que desejamos.

Pense nisso! Até o próximo!   


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