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O TEMPO DE FATO

Incredulidade dos irmãos de Jesus: reflexão de JO 7,1-7

Professor Me. Ciro José Toaldo

Aproveito um convite para abordar este tema religioso em um encontro para trazer aos leitores uma reflexão, para nosso avanço espiritual. Talvez, inicialmente não compreendamos este questionamento: por que os irmãos de Jesus não estavam acreditando nele? Essa questão é abordada no Evangelho de João 7,1-7, onde surge sinal de contradição, pois quem é próximo de Jesus não compreende quem verdadeiramente ele era!

Essa situação dos irmãos de Jesus remete a experiências relacionadas ao nosso mundo atual, seja nas famílias, trabalho, entre amigos e em templos religiosos. A convivência com pessoas, leva formar uma imagem, muitas vezes não correspondida à sua essência. Essa maneira de relação efetuada em meras aparências, pode levar a ‘cegueira’, impedindo de ver o outro como ele realmente é. Podemos dizer que vivemos envolto a um sistema que gera essa falta de visão, pois todos devem ser vistos dentro de um mesmo padrão comportamental.  

E quando alguém rompe com essa maneira de pensar e agir, apresentando sua transformação, além de não se perceber essa mudança, pode-se até fazer críticas. Portanto, somente a proximidade, por si só, não garante a plena compreensão do outro. Esse é o questionamento apresentado pelo evangelista João: os irmãos de Jesus conviviam com ele, ouviam seus ensinamentos, mas não percebiam a dimensão espiritual, não compreendendo a sua missão.

Nesse sentido, seja no passado e como no presente, existe muita diferença entre acreditar em Jesus e viver de acordo com seus ensinamentos. É possível conhecer seus ensinamentos pelos Evangelhos, falar de suas ações, como caridade e perdão, mas continuar cultivando a intolerância, ressentimento e dificuldades de relacionamento. Seguir Jesus requer perguntar-se: o que a minha crença em Jesus está produzindo em minha vida íntima?

Na sequência da passagem bíblica, outro ensinamento, diz respeito à necessidade de não depender da aprovação dos outros. Os irmãos de Jesus esperavam que ele se apresentasse publicamente em uma festa e demonstrasse sua missão, mas Jesus não se deixou conduzir pelas expectativas alheias. Ele segue seu caminho e cumprindo o seu propósito.

E, deixamos de fazer o bem por não receber reconhecimento! Fato que revela orgulho que impede o desenvolvimento da humildade.

Portanto, esta passagem é replete de questionamentos, pois se os irmãos de Jesus que estavam próximos dele, mas não o reconheciam em sua dimensão espiritual, nós o estamos reconhecendo nas pequenas situações do nosso dia a dia: na oportunidade de exercitar a paciência, no ato de perdoar alguém, na ajuda oferecida ao próximo ou em uma situação que exige compreensão e solidariedade. O cristão não pode somente dizer que crê em Jesus, ele precisa demonstrar sua fé por meio de atitudes.

Dois mil anos depois, deste episódio relacionado a essa passagem bíblica, temos a oportunidade de continuar refletindo sobre nossas próprias atitudes. Por favor, não se perca na busca de saber se Jesus teve mais irmãos, e principalmente não condene estes irmãos; coloque-se no lugar deles e procure perceber em quais áreas da sua própria vida você ainda encontra dificuldade para acreditar na mensagem cristã.

Será que existe dificuldade em acreditar no valor do perdão? Na possibilidade da mudança do outro? Em aceitar as pessoas como elas são?

Quando todas as religiões cristãs entenderem que a verdadeira fé não é necessariamente aquela que nunca enfrenta dúvidas, mas aquela que, mesmo diante delas, continua buscando, aprendendo e caminhando para a nossa evolução espiritual, estaremos dando passos importantes entender o ensinamento do amor de Cristo.

Amigo leitor, mais do que conhecer Jesus, ou estar ao lado dele fisicamente, o desafio é transformar seus ensinamentos em atitudes concretas. Afinal, quando o Evangelho é vivido no cotidiano, não apenas conhecendo seus ensinamentos, mas vivendo o amor cristão, reconhecendo nossos erros e procurando ser melhor a cada dia.

Ótima reflexão!


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