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A cooperativa de mulheres

Por: Mario Eugenio Saturno

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Por: Mario Eugenio Saturno



Mario Eugenio Saturno (cientecfan.blogspot. Com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.

Sempre gostei de histórias em que mulheres são protagonistas. Próximo dos sessenta e sendo homem, sei das dificuldades para fazer história, especialmente a que faz crescer a Pátria! Fiquei fascinado com a história da Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc).

Essa cooperativa foi fundada em grande parte por mulheres, em 2004, na Bahia, e tornou-se referência na produção orgânica de frutas nativas da caatinga, como o maracujá e o umbu, que é o carro-chefe das agricultoras. E o umbuzeiro está ameaçado de extinção, mas que, por causa da Coopercuc, foi preservada e multiplicada pelas comunidades rurais. Ou seja, a ação das mulheres está preservando uma riqueza nacional.

Curiosamente, as protagonistas das histórias nem são brasileiras, são canadenses, e são religiosas católicas. Tudo começou com a chegada de três freiras católicas ao município baiano de Uauá, em 1986: Monique Fortier, Martha D'aoust e Jaqueline Aubly. Elas faziam parte do movimento das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), da Igreja Católica, que foi muito importante para a formação religiosa e para uma organização social e política das mais pobres nesse período.

As freiras visitavam como comunidades promovendo a formação comunitária, bolseira em Uauá e, depois, em Canudos e Curaçá. E tudo aconteceu em um momento que não se permite às mulheres estudando ou trabalhando fora ou ter sua própria renda. Segundo diversas cooperadas, os homens achavam que os encontros da igreja, as mulheres estudavam a Bíblia, mas, era muito mais do que isso, as irmãs estavam fazendo uma transformação social na cabeça das mulheres. As freiras diziam: criem galinhas, façam uma horta, colham o umbu, tenham o seu sustento, para não depender somente dos seus maridos.

As irmãs Monique, Martha e Jaqueline então iniciaram a incentivar as mulheres de Uauá a participar das decisões de suas comunidades, em uma época que não havia presença feminina nas associações rurais e nos movimentos sociais.

As freiras tiveram um papel fundamental com a conscientização dos meninos também porque muitos deles queriam sair de suas comunidades para trabalhar fora. E elas ensinavam a valorizar o semiárido.

Assim, quando as mulheres fundaram a cooperativa, todos já entendiam como funcionavam as decisões coletivas.

Como irmãs, finalmente, organizaram uma vinda do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa) à região, uma ONG que atua com técnicas de manejo apropriada à vegetação e ao clima do semiárido. E, em 1997, as mulheres das comunidades de Uauá, Canudos e Curaçá receberam dessa ONG um curso de beneficiamento de frutas do semiárido para fazer compotas, doces, geleias, dando início a esta atividade produtiva que levou à cooperativa.

Hoje, dos 270 agricultores familiares cooperados, 70% são mulheres. Elas se transformam como frutas das colheitas em doces, geléias e polpas que, além do Brasil, já conquistaram os mercados da França, Itália, Áustria e Alemanha. Histórias assim que podem ser construídas pelo Brasil por humanos de boa vontade!


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