Do UOL, em São Paulo
José Wilker morre aos 66, vítima de infarto fulminante
Do UOL, em São Paulo
05/04/201411h17 > Atualizada 05/04/201414h32
O ator José Wilker, 66, morreu na casa da namorada, a jornalista Claudia Montenegro, no Rio de Janeiro, na manhã deste sábado (5), vítima de um infarto fulminante, enquanto dormia. A informação foi confirmada ao UOL pelo produtor de teatro Cláudio Rangel. "Nós percebemos hoje de manhã. Graças a Deus, ele não sofreu nada", afirmou Rangel.
O socorro foi chamado por Claudia, que mora em Ipanema, Zona Sul do Rio, por volta das 10h, mas os médicos não conseguiram reanimar o ator.
Wilker deixa as filhas Isabel, Mariana e Madá. Ele foi casado três vezes, com as atrizes Renée de Vielmond, Mônica Torres e Guilhermina Guinle, e namorava Claudia Montenegro há três anos.
A atriz Renée de Vielmond e a filha Mariana estão no apartamento de Claudia aguardando a remoção do corpo do ator.
O último trabalho do ator foi na novela "Amor à Vida", em que ele interpretou o médico Herbert. Antes disso, ele havia atuado em outra novela de Walcyr Carrasco, "Gabriela". Ao todo, Wilker atuou em 29 novelas, incluindo sucessos como "Roque Santeiro", "O Salvador da Pátria", "Anos Rebeldes" e "A Próxima vítima".
Pegos de surpresa, colegas e amigos de Wilker estão chocados. "O Zé é vivo ainda. Agora não adianta dizer o que fica dele. Não se pensou nisso. Ninguém pensou. Ele é muito vivo, presente, risonho, brincalhão", disse Vera Holtz ao UOL. Betty faria, Tony Ramos, Arlette Salles, Antônio Calloni e Maitê Proença também lembraram do como era a convivência com ele.
Nascido em Juazeiro do Norte, no Ceará, no dia 20 de agosto de 1947, José Wilker começou sua carreira como locutor de rádio no Ceará. Aos 19 anos, porém, ele se mudou para o Rio de Janeiro, onde começou a atuar. Um de seus primeiros trabalhos foi o filme "A Falecida", de 1965, protagonizado por Fernanda Montenegro.
Com uma extensa carreira também no cinema, Wilker atuou em 49 filmes, como "Bye Bye Brasil", "Dona Flor e Seus Dois Maridos", "Jango" e "Giovanni Improtta" - baseado em seu famoso personagem da novela "Senhora do Destino".
Wilker também trabalhou como diretor, tendo sido o responsável por "Giovanni Improtta" e pelo seriado "Sai de Baixo", da Globo. Ele ainda dirigiu as novelas "Louco Amor", de 1983, e "Transas e Caretas", de 1984, assim como a peça de teatro "Rain Man".
José Wilker, um ator “felomenal”
“Triste. Muito triste. Tristíssimo!”, diria o personagem de Wilker na novela “Renascer” (1993). Na manhã deste sábado (05/04), fomos pegos de surpresa com a notícia da morte de José Wilker. Era novo ainda (66 anos) e não se sabia de doença grave. O ator foi vítima de um infarto fulminante.
Sua voz potente e seu jeito, olhar e sorriso cínicos conferiram a Wilker uma galeria de personagens marcantes, principalmente no cinema e na televisão. Foram quase 70 filmes (desde sua estreia em “A Falecida”, em 1965), com destaque para os memoráveis “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976), “Bye Bye Brasil” (1979) e “O Homem da Capa Preta” (1985). Era notória a paixão de Wilker pela Sétima Arte.
Na TV, além de casos especiais e pequenas participações gerais, foram mais de 30 novelas e 10 minisséries. José Wilker é da geração que solidificou – lá na década de 1970 – o padrão de teledramaturgia que temos hoje. Desde jovem, já era chamado para papeis importantes, como em “Bandeira Dois” (1971, de Dias Gomes) e “Os Ossos do Barão” (1973, de Jorge Andrade). Seu primeiro grande personagem já exigia uma baita responsabilidade: Dr. Mundinho Falcão em “Gabriela”, de Jorge Amado, adaptada por Wálter George Durst e dirigida por Wálter Avancini, em 1975.
Conheci José Wilker em papeis de homem sedutor, galanteador, macho alfa, em novelas como “Plumas e Paetês” (de Cassiano Gabus Mendes, 1980-1981), “Brilhante” (de Gilberto Braga, 1981-1982), “Final Feliz” (de Ivani Ribeiro, 1982-1983) e “Transas e Caretas” (de Lauro César Muniz, 1984). Mas foi com “Roque Santeiro” (de Dias Gomes e Aguinaldo Silva, 1985-1986), que o ator entrou definitivamente para o imaginário brasileiro como o mítico personagem-título, o morto que foi sem nunca ter sido e que retorna à cidadezinha de Asa Branca para passar a limpo a sua vida. Dividiu com Regina Duarte (Viúva Porcina) e Lima Duarte (Sinhozinho Malta) os louros de um dos maiores sucessos da TV brasileira.
Após uma rápida passagem pela TV Manchete (entre 1987 e 1988), onde atuou nas novelas “Corpo Santo” e “Carmem”, Wilker voltou à Globo em outro personagem memorável: João Matos de “O Salvador da Pátria” (de Lauro César Muniz, 1989). Exercitou o cinismo como Fred na comédia “Mico Preto” (1990) e ganhou mais uma pá de personagens inesquecíveis pela década de 1990 – Demóstenes em “Fera Ferida”, Belarmino em “Renascer”, Marcelo em “A Próxima Vítima”, Tião Socó em “O Fim do Mundo”, Waldomiro em “Suave Veneno”.
É dessa época também sua participação em minisséries importantes, como “Anos Rebeldes” (1992) e “Agosto” (1993). Lembrando ainda “Bandidos da Falange” (1983), “O Quinto dos Infernos” (2002), “JK” (2006) – em que encarnou o presidente Juscelino Kubitschek -, “Amazônia, de Galvez a Chico Mendes” (2007), “O Bem Amado” (2011) – recriando Zeca Diabo – e “O Brado Retumbante” (2012).
Na novela “Desejos de Mulher'' (de Euclydes Marinho, 2002), viveu o divertido homossexual Ariel. Giovanni Improta foi outro marco em sua carreira. O bicheiro extravagante, que falava errado, apaixonado por Maria do Carmo (Susana Vieira) na novela “Senhora do Destino” (de Aguinaldo Silva, 2004-2005) fez tanto sucesso que foi parar nos cinemas. Vale lembrar que Wilker tinha uma química incrível com Susana Vieira, a atriz com quem mais contracenou (“Anjo Mau”, “Fera Ferida”, “A Próxima Vítima”, “Senhora do Destino”).
Seus últimos trabalhos na TV foram em obras do autor Walcyr Carrasco. Na nova adaptação de “Gabriela” (2012) – vivendo outro personagem de Jorge Amado, o Coronel Jesuíno Mendonça -, o ator popularizou o bordão “vou lhe usar!”. Um coadjuvante que lhe rendeu uma grande interpretação. Diferente do Herbert de “Amor à Vida” (2013-2014), em que o ator entrou no meio da novela e seu personagem minguou inexpressivamente. Independentemente do tamanho do personagem (um Jesuíno ou um Herbert), José Wilker era um ator “felomenal” – diria Giovanni Improta.
Artistas lembram de José Wilker
Divulgação O que eu sinto é que a maioria dos amigos estão em estado de choque. Todo mundo está muito chocado com a notícia. O impacto da notícia foi enorme. Todo mundo está se ligando e perguntando: 'será que é verdade?'. A gente não acredita. O Zé era muito próximo. Muito querido e presente na vida artística brasileira. Ninguém sabe nada ainda. As pessoas ainda estão tentando confirmar. Muita gente está tentando saber. O Zé é vivo ainda. Agora não adianta dizer o que fica dele. Não se pensou nisso. Ninguém pensou. Ele é muito vivo, presente, risonho, brincalhão. Vera Holtz, em entrevista ao UOL.
Julia Chequer/Folhapress Eu fiz com ele alguns trabalhos como 'Salvador da Pátria'. Tenho muitas memórias daquele tempo, a TV Globo mandava a gente para Volta Redonda e ficávamos lá a semana inteira, todo o elenco junto e era muito agradável. A gente almoçava juntos, jantava juntos, era como um colégio interno. Falávamos muitas bobagens, mas falar bobagens com alguém interessante como o Zé faz você sair do lugar comum, toda aquela conversa trazia uma espécie de luz nova. Wilker tinha uma forma diferente de levar a vida, um pensamento independente. Maitê Proença, ao UOL.
Wilker foi o ator com quem mais trabalhei na minha vida. Fiz a primeira peça que ele escreveu no final da década de 60 e a partir daí a gente sempre trabalhou juntos. Wilker dizia que meu sobrenome Sorrah foi ele quem tinha inventado. Foi um homem brilhante, de teatro, de cinema. Um homem do nosso tempo, da minha geração. Um homem atento a vida, sempre com muito humor, com alegria de viver. Como isso foi acontecer? Éramos meio vizinhos, morávamos na mesma rua e sempre estávamos nos esbarrando. Ninguém esperava essa morte, ele estava cheio de saúde, de vontade de viver, fazendo coisas. Tudo o que Wilker fez vai ficar para sempre. Foi um ator extremamente talentoso, inteligente e sensível. Renata Sorrah, ao UOL.
Estou muito triste. Ele foi um dos homens mais importantes do teatro, da TV e do cinema brasileiro. Ele corria risco, é um exemplo para os nossos atores, para a nossa profissão. O Brasil perdeu um ícone muito importante. O senso de humor dele era impagável. Ele era uma das pessoas mais adoráveis no dia a dia da televisão. É uma pena. Wolf Maya.
É uma perda muito grande, para todos nós. Eu devo a Wilker a minha ida para a televisão. Foi ele que me botou na minha primeira novela, 'Transas e Caretas'. O Wilker tinha um timbre incrível, temperado por esses cigarros que levaram ele a essa infarto. Ele era um gênio, realmente um dos maiores talentos do Brasil. Paulo Betti, a GloboNews.
A gente perdeu o Paulo Goulart, agora o Wilker, horrível. Tem um artista que diz que quando morre um artista, morrem três. Morreu o Goulart, o Wilker, espero que esse dito não seja verdadeiro. O Wilker fazia muito piada. A gente achava muito divertido, muito engraçado. É uma tristeza a morte dele. Rosamaria Murtinho, a GloboNews..
Eu tive o privilégio, a alegria e a satisfação de ter sido dirigida por ele, em 'Querida Mamãe'. Para ele, eu não diria 'adeus'. Diria 'até sempre'. Na minha memoria, foi um momento brilhante, afetivo e maravilhoso ter sido dirigida por ele Eva Wilma, a GloboNews.
Era uma pessoa muito ligada comigo. Era um homem extremamente culto, extremamente generoso, extremamente dedicado no trabalho. Ontem fiquei falando horas no telefone com ele, porque ele viu uns espetáculos que eu também havia visto. A morte sempre pega de surpresa, mas essa me pegou mais profundamente. Foi uma coisa inimaginável. Jô Soares, a GloboNews.
Sempre vou lembrar dele com aquele sorriso no rosto. Jamais o vi de cara angustiada ou se queixando da vida. Me inspirava muito na inteligência dele, na cultura dele. Arlete Salles, a GloboNews.
Vou me lembrar do senso de humor, da ironia, da inteligência. Apesar de a gente não ser amigo íntimo, eu cheguei a conhecer bastante o Wilker. A relação que eu tive com Wilker foi bastante intensa, no campo profissional. É uma figura fascinante, a gente percebe pelo trabalho dele. Foi realmente uma notícia muito triste Antonio Calloni, a GloboNews.
Meu bate papo com ele foi no final de 'Amor à Vida'. Sempre que a gente se encontrava, ele perguntava da Sonia Braga [Médici e Sonia são bem próximos]. Eu acho que ele era um tipo de galã que guardava uma brasilidade e cuja ironia era impressa nos personagens. Ele tinha uma risadinha que comunicava com o público. Especialmente quando os personagens estavam fazendo alguma maldade, ele dava essa risadinha de quem diz: 'Bem, meus amigos, vamos admitir que isso aqui não é algo sério... Marcelo Médici, ao UOL.
Minha última história com ele é de ontem. Tinha lido um email dele e disse que iria assistir à entrevista que ele ia gravar esta semana com o Lima Duarte. Ano passado ele tinha me convidado a participar desse projeto e eu dei o cano nele por conta de algum compromisso. Agora a gente fica aqui zapeando a TV e sem acreditar, pensando, 'poxa, eu devia ter ido na entrevista...'. Era um grande ator, inteligente, eu gostava de estar perto dele, de conversar com ele. Me dirigiu no teatro muitas vezes e trabalhamos juntos em duas novelas maravilhosas, que foram 'Roque Santeiro' e 'Fera Ferida'. Ainda não tô acreditando. 66 anos não é idade pra ninguém morrer Cássia Kiss Magro, ao UOL.
Estou no meio de uma filmagem e toda a equipe está chocada. Estou absolutamente chocado e impactado com essa notícia. Não sei o que te dizer. Falar o quê desse grande ator? Um homem encantador, querido, amigo, Sinceramente não consigo dizer nada, além da dor e da perda que é para o cinema, para o teatro e para a TV. Um homem encantador, com uma história linda. Estou muito emocionado Tony Ramos, ao UOL.
Estou passado, acabei de saber e não estou acreditando. Que coisa louca, estive com ele outro dia e ela ia dirigir uma peça comigo. Ele me chamou e estava esperando a Eliane Giardini, uma peça chamada ?Sangue?. Estou chocado. Tínhamos uma amizade de trabalho, fizemos algumas coisas juntas e nos divertimos muitos em ?Senhora do Destino?. Não sei o que falar, uma pena eu não estar no Rio para poder me despedir. Nós tínhamos uma trajetória parecida, segundo o Luis Correa [diretor de teatro] três ?zés? mudaram a vida do teatro Ipanema, ela dizia isso se referindo ao Wilker, a mim e ao Zé Vicente [dramaturgo] José de Abreu, ao UOL.
Estava com ele até ontem, à meia noite, brincando, trocando ideias. 50 e tantos anos de convivência, tantos trabalhos, e hoje pela manhã recebo essa notícia que me deixou tonto. Não posso acreditar como pode ser assim. Uma despedida estranha. Logo eu, que iria encontrá-lo novamente hoje. Mas eu sei que a vida é assim. Me diverti tanto com ele. Eu e ele casávamos quando trabalhávamos juntos, porque o trabalho era um meio de vida e de morte. Ficamos juntos em todas as circunstâncias e agora estou sozinho aqui. Já chorei tudo o que tinha que chorar. Estou comovido. Vou sentir uma saudade muito grande. Ele era um grande amigo meu. Não ficou nada entre nós que precisássemos acertar Ary Fontoura, a GloboNews.
Eu lamento muito a morte do José Wilker. Eu o assisti quando era muito jovem numa peça chamada ?O Arquiteto e o Imperador da Assíria?, que foi um dos mais belos trabalhos de ator que já vi. Tive o prazer de trabalhar com ele e me aproximar pessoalmente duas vezes, em ?Gabriela? e em ?Amor À Vida?. ?Gabriela? foi uma novela na qual ele fez as duas versões. E brilhou em ambas. Sua interpretação do coronel Jesuíno foi intensa, histórica, a ponto do Brasil inteiro falar "hoje eu vou lhe usar". Em ?Amor A Vida? fez uma participação especial que eu considero aquém de seu talento, mas cujos limites ele soube entender, compreender e ficar a meu lado. Tínhamos sim, uma amizade. Wilker gostava de usar chapéus e uma vez estava com um azul, lindo. Eu elogiei, porque também gosto de chapéus e vinte dias depois ele me presenteou com um igual! Toda vez que eu olhar esse chapéu vou lembrar dele e de seu inigualável talento. Walcyr Carrasco, ao UOL.
Levei um susto quando soube. Ele estava bem, não estava doente nem nada. Wilker foi um colega muito querido, fomos marido e mulher na novela ?Três Irmãs? e ele sempre foi um cara carismático, para cima. É uma lástima tudo isso acontecer. Acho que fica esse homem articulado, inteligente. Sabemos que a vida não termina, mas a perda da pessoa física é muito triste. Fiquei muito chateada quando soube Ana Rosa, ao UOL.
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