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HÁ QUASE DOIS MESES JUIZ DE DIREITO PRESTA SERVIÇOS NA COMARCA DE CAPINZAL

CARBONI RECLAMA A FALTA DE TRIBUNAL DO JÚRI NO FÓRUM, POIS A CÂMARA DE VEREADORES NÃO É O LOCAL IDEAL PARA ESSE TIPO DE EVENTO

MAGISTRADO FEZ PEDIDO DE MAIS SERVIDORES AO TJ, O QUE TORNARIA OS PROCESSOS MAIS RÁPIDOS, PORÉM, AS PESSOAS PRECISAM TER MAIS A CULTURA DA CONCILIAÇÃO, EVITANDO QUE QUALQUER BRIGA E AÇÃO PEDINDO BENEFÍCIO DESNECESSÁRIO ACABE NO JUDICIÁRIO, ENQUANTO ALGUÉM QUE REALMENTE TENHA O DIREITO FICA NA FILA ESPERANDO A SUA VEZ

A data de 27 de abril do corrente ano, numa quarta-feira, foi marcada pela chegada do juiz de direito na 2ª Vara da Comarca de Capinzal, Dr. Fernando Machado Carboni, atuando e respondendo basicamente pelos processos criminais e relativos à Fazenda Pública, ou seja, todos aqueles que tenham participação da União, Estado e Município, além de suas autarquias e empresas públicas.
Segundo Carboni quando chegou à Comarca de Capinzal encontrou a estrutura física boa, pois o Fórum teve uma recente reforma. A única reclamação é a falta de espaço, pois o fórum precisa ser um pouco maior, para construção de algumas dependências que faltam. Exemplo disso é a inexistência de salão do Júri. Tanto que as sessões do Tribunal do Júri são realizadas na Câmara de Vereadores, que não é o local ideal para esse tipo de evento. Também não há arquivo para colocar os processos arquivados, algo extremamente necessário. “Quanto ao quadro funcional, achei muito bom, composto por servidores competentes e esforçados. Mas é preciso mais pessoas trabalhando no Fórum. Já fiz o pedido de mais servidores ao Tribunal de Justiça, mas estou no aguardo de uma resposta”, complementou Carboni que as condições de trabalho da estrutura física, mobiliária e outras, são boas.
Em relação ao número de processos esperando por julgamento da Comarca de Capinzal, Carboni que atua na 2ª Vara, informa existir mais ou menos 4.900 processos, sendo que desses, 600 estão em gabinete aguardando uma decisão. “Sei que parece muito, mas quando cheguei, havia 5.100 processos, sendo 1.200 em gabinete, de modo que diminuiu bastante, considerando o pouco tempo que estou aqui. Espero que se consiga continuar diminuindo a quantidade”, completa o Juiz de Direito.
O TEMPO – um jornal de fato: O que fazer para ter menos processos, inclusive, para agilizar julgamentos e conciliações? – CARBONI: São vários os motivos para o elevado número de processos. Como consequência, não é simples dizer o que é preciso para diminuir o seu número. Algo que ajudaria, seria a contratação de mais servidores, o que tornaria os processos mais rápidos. Acho também que as pessoas precisam ter mais a cultura da conciliação, para que qualquer briga de vizinhos, ou entre marido e mulher, não acabe no Judiciário. Percebi a existência de muitos processos desnecessários. Um exemplo disso é que muitas pessoas entram com ação pedindo benefício previdenciário, sem sequer ter feito um pedido administrativo ao INSS. Já vi, inclusive, pessoas ajuizarem ações pedindo benefícios que já estão recebendo da Previdência. Com isso, juiz e servidores perdem tempo trabalhando neste processo, enquanto o de alguém que realmente tenha o direito fica na fila esperando a sua vez.
A Polícia poderia ajudar na Delegacia no momento em que alguém abrir um Boletim de Ocorrência – BO, na tentativa de ser conciliador antes de fazer algum inquérito e destinar ao Fórum, no sentido de evitar acúmulos de processos ou as pessoas devem ser mais compreensivas e evitar brigas judiciais? Justifique? CARBONI: Sem dúvida que em simples discussões ou brigas banais, a polícia poderia tentar conciliar as pessoas. Claro que isso não pode ser feito em crimes violentos, caso em que a polícia tem a obrigação de lavrar o Boletim de Ocorrência, instaurar o Inquérito Policial e encaminhar ao Judiciário. Mas não é possível dizer para as pessoas evitarem brigas judiciais. Qualquer um que sentir seu direito violado, tem direito de recorrer ao Judiciário, o qual é obrigado a dar uma resposta.
Já conheceu ou se informou sobre os demais municípios que integram a comarca de Capinzal, no sentido de conhecer mais a cultura e forma que vive cada comunidade? Resposta de Carboni: - Já visitei todos os cinco municípios que formam a Comarca: Capinzal, Lacerdópolis, Ouro, Piratuba e Ipira. Também busquei dados sobre população, colonização, cultura e demais aspectos históricos, geográficos e econômicos de cada um. Só não conheço o interior dos municípios, mas pretendo conhecer.
A primeira impressão de Carboni dos municípios coirmãos, Capinzal e Ouro, os quais são praticamente uma só comunidade, apenas separados pelas águas do Rio do Peixe foi à hospitalidade das pessoas dessas cidades. “De todas as comarcas que atuei, em nenhuma eu fui tão bem recebido e bem tratado quanto aqui”, resumiu o entrevistado.
O TEMPO: Passado o tempo, o que compreendeu e conheceu de mais importante em ambos os municípios e na Comarca em si? – Carboni: - O que eu conheci de mais importante são as pessoas. É um povo muito trabalhador e, como eu disse antes, hospitaleiro.
Carboni é natural de Orleans (SC), filho de Altair Carboni e Maria Gorete Machado Carboni, casado desde 15/05/2010, porém, de momento o casal a não tem filhos. Estudou no ensino fundamental em escola pública, sendo a Escola Estadual Toneza Cascaes, de Orleans (SC). No ensino médio, a 1ª e 2ª série na mesma escola pública de Orleans. Na 3ª série, em uma privada, o Colégio Energia, em Tubarão (SC). O ensino superior também foi em instituição pública: a Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis (SC). O curso de Bacharel em Direito fez na Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis e colou grau em 10 de abril de 2004.
A sua posse na vida profissional ocorreu em 28/02/2008. Permaneceu em Florianópolis até o final de maio de 2008, quando assumiu em Tubarão. Como juiz substituto, além de em Florianópolis e Tubarão, atuou nas comarcas de Armazém, Jaguaruna, Capivari de Baixo, Laguna, Braço do Norte, Criciúma e Urussanga. Depois dessa caminhada foi promovido a juiz de direito, assumindo em Capinzal, iniciando os trabalhos no dia 27/04/2011.
Antes de ser juiz de direito, na adolescência Carboni ajudava seu pai, o qual tinha uma distribuidora de bebidas em Orleans. Com 15 anos, foi Office boy da Loja de Móveis Zomer, também de Orleans. Depois voltou a trabalhar com seu pai. Após passar no vestibular e ir morar em Florianópolis, foi bolsista na Universidade por dois anos e estagiário do Tribunal de Justiça de Santa Catarina por quatro anos, sendo que no estágio, foram de dois anos como voluntário e dois anos remunerado. Durante um ano, foi bolsista na Universidade e estagiário voluntário ao mesmo tempo. Trabalhou como assessor no Tribunal de Justiça de Santa Catarina, de 01/04/2004 a 05/03/2006. Passou no concurso do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para o cargo de analista judiciário e trabalhou no Cartório Eleitoral de Laguna (SC), de 06/03/2006 a 27/02/2008. Em 28/02/2008, assumiu na magistratura.
O TEMPO: Com quantos anos iniciou no seu primeiro trabalho? Justifique? – Carboni: Não tenho como dar a idade exata, mas acredito que com 14 anos, ou até um pouco antes, eu trabalhava com meu pai na empresa dele, uma distribuidora de bebidas em Orleans. A dificuldade em dar a idade é que antes eu até ajudava meu pai, mas não era todos os dias. Acho que com 14 anos eu passei a ir ajudar todo dia.
Nas considerações finais quanto às perguntas e o que mais pretende informar em nível local e também regional, assim Carboni se manifestou: As cidades de Capinzal e Ouro são muito parecidas com o local onde nasci e cresci, ou seja, Orleans. O número de habitantes é parecido, sendo Orleans ainda um pouco menor. Os municípios ficam no meio dos morros, tanto que Orleans é conhecida como a “Cidade das Colinas”. A neblina pela manhã que lá também tem a exemplo de Capinzal, Ouro e região são semelhantes. Lá e aqui predomonam a colonização italiana. Com todas essas semelhanças, posso dizer que aqui me sinto em casa, pois estou num local muito parecido com a cidade onde eu nasci e cresci.

Juiz Carboni (completou 30 anos de idade no último dia 17 de janeiro) apesar do pouco tempo que está em Capinzal, já visitou os cinco municípios que integram a Comarca, também se informou sobre a população, colonização, cultura e demais aspectos históricos, geográficos e econômicos, porém, pretende conhecer o interior de cada um deles.

 

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