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CEMITÉRIO NO INTERIOR DE CAPINZAL SERVE DE PASTAGEM PARA O GADO

ANIMAIS DESTROEM TÚMULOS E FAMILIARES NÃO TÊM ACESSO A MORADA FINAL DE SEUS ENTES QUERIDOS

NOVO PROPRIETÁRIO ABRE CERCADO ONDE ESTÃO SEPULTADOS OS MORTOS, FECHA PROPRIEDADE COM ARAME FARPADO E SE APODERA DE ESTRADA MUNICIPAL

 
A Reportagem de O TEMPO – um jornal de fato e também o vereador e presidente do Legislativo de Capinzal, Andevir Isganzella, foram solicitados para ir até a localidade da Barra do Pinheiro, sendo que o objetivo era mostrar o cemitério da comunidade que se encontra no maior desmando possível e inaceitável. Os familiares dos entes queridos estão impossibilitados de visitar o cemitério, em virtude que há mais ou menos dez anos o acesso foi cercado com arame farpado, pois em toda a extensão de terra o proprietário cria gado, porém, ele residente em outro estado. Todo o imóvel está cercado, mas como o cemitério fica dentro desta área de terra, o novo proprietário derrubou o cercado da morada final e também fez do local pastagem para o gado, consequentemente, os animais ao longo do tempo acabam de uma maneira ou de outra destruindo túmulos e muito mais.       
Para chegar até o cemitério, é preciso passar por propriedades particulares, já que a estrada pública foi abandonada, porém, os familiares dos entes queridos são barrados por cerca de arame farpado, onde estão em torno de umas 80 pessoas sepultadas, no entanto, o espaço passou a ser uma invernada.
A Barra do Pinheiro era uma das maiores localidades do interior de Capinzal, pois até 1983 existia a estação ferroviária, com a desativação da ferrovia quebrou o comércio local e as praticamente cem famílias foram levadas pelo êxodo rural. Com a saída em massa, restaram apenas três famílias, porém, aos poucos algumas retornaram e foram atraindo mais moradores, uns que passaram a ter residência fixa e outros construíram imóveis, mas só passam o fim de semana na comunidade e nos dias úteis permanecem na sede do Município.
Antonio Isganzela (Antoninho) era morador da Barra do Pinheiro quando a localidade foi referência comercial para o interior de Capinzal, no entanto, tem residência na cidade, mas passa maior tempo durante o ano no campo, pois ele e seus laços de amizades vêm fazendo um trabalho para atrair mais famílias para a comunidade. Isganzela por querer bem da comunidade e por preservar a memória do que foi Barra do Pinheiro, inclusive, por querer que a localidade volte a crescer, vem procurando o seu direito de ver o cemitério aberto a visitação e cercado como era há dez anos, época permitido pelo proprietário anterior, pois havia doado a área de terra para tanto. Graças ao trabalho de Isganzela e de outros amigos, pois das cinco casas de moradias que restaram, hoje gira em torno de umas 40 habitações, podendo ampliar ainda mais com a volta do transporte ferroviário.
Quando Antonio Isganzela comunicou o acontecido para o vereador e presidente da Câmara Municipal de Capinzal, Andevir Isganzella, este ficou constrangido e indignado porque é uma violação de sentimentos das famílias que têm seus entes queridos lá sepultados, porém, disse que o atual proprietário pelo menos deveria manter fechado caso tivesse o mínimo de bom senso que é esperado por parte de qualquer pessoa. Para Andevir isto é uma violação, pois a pequena área de terra não amenizaria a fome do gado e ninguém iria ficar mais rico, portanto, faltou sensibilidade e respeito para os corpos ali sepultados, inclusive, não levou em conta o sentimento dos familiares que choram a perda do ente querido.
Segundo Andevir, para que fosse possível se apoderar do cemitério era preciso de uma lei que ampare para tanto, portanto, é uma situação bastante delicada e que espera uma solução através de advogados, também da promotoria pública, já que o caso requer uma definição cabível e aceitável. “É lamentável abrir o cemitério, largar os bois como se lá estivessem enterrados cachorros e gatos, além disto, fechou a estrada de acesso aos entes queridos, pois os familiares que vão visitar não têm acesso e voltam desiludidos, quem sabe por apropriação indébita
A intenção de Andevir é fazer algo para que seja possível o descanso dos entes queridos na sua última morada com condições de visitação e que se possa manter e melhorar o visual do cemitério como um lugar digno, sem depredação e nem apoderação indevida.
É de suma importância o respeito e o reconhecimento aos antepassados, o que faz por merecer atenção especial além do Legislativo, do Executivo, do Ministério Público e do Poder Judiciário, caso contrário a desordem e os interesses particulares castigarão a coletividade.
O que mais chocou a imprensa e o vereador, foi saber que Antoninho Isganzela que levantou a questão, tem três irmãos sepultados no cemitério, consequentemente, os mesmos também são primos de Andevir Isganzella, que está solidário àqueles de saudosa memória.     
É uma enorme arrogância consentir que o gado defeque, pise e chifre os túmulos, pelo menos que mantivesse fechado o cemitério, até porque locais como este serão com certeza a morada de todos os simples mortais, até porque desta vida não se leva nada de bens materiais, apenas as boas ações. 
 
Antoninho e Andevir lamentam as marcas feitas diariamente pelo gado nos túmulos e nos demais pertences no cemitério da localidade de Barra do Pinheiro, município de Capinzal, podendo ser uma propriedade indébita.     
 
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