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Antigamente era assim... 'Onde comem oito filhos, comem dez ou mais...' E, hoje em dia??!!!

  • - Evani Marichen Lamb Riffel (Pedagoga e Psicopedagoga).

Por Evani Marichen Lamb Riffel Escritora, pedagoga, psicopedagoga

      Numa tarde chuvosa, tela em branco a espera da inspiração para escrever o texto semanal, vejo no museu um retrato daquelas famílias numerosas de antigamente. Ora, ora lembrei na hora de um "dizer" do meu velho finado pai, quando se enumeravam as dificuldades de prover nossos filhos do necessário e indispensável para cria-los, ele costumava dizer: -"Onde comem 8 comem 10."

      Devo dizer que os tempos mudaram muiiitooo!!!!...

      Embora papai estivesse certo desse dizer, para sua época, quando a alimentação era produzida quase integralmente na roça, quando as famílias praticavam a agricultura, suinocultura, avicultura, piscicultura, horticultura e por aí afora. Quando poucos provimentos se buscavam na venda mais próxima e ainda eram comprados na troca de ovos enrolados na palha, para não quebrar no trajeto, queijo, manteiga, cereais, mel, galinhas vivas e outros...

 ... Tempos idos em que as roupas eram simples e costuradas em casa, o meio de transporte era a pé ou a cavalo, a lamparina a querosene alumiava o entardecer na querência e os muitos filhos à noite dialogavam com os pais, ouviam histórias, aprendiam a rezar e a decorar os 10 mandamentos, onde principiava a base da educação, aprendiam em casa a fazer contas e decorar a tabuada.  Quando chegavam à escola sem saber a lição levavam castigo, em casa, ao contar, o castigo levava bis.           Lembrando que o trajeto para a escola era à pé e muitas vezes de pés descalços. O primeiro sapato era ganho para usar na primeira Eucaristia. Desde cedo os filhos que já haviam feito o antigo primário, aravam a terra para semear o pão de cada dia, acompanhando os pais no trabalho árduo da roça.

     No fim das tardes a fila era para se lavar na gamela e aos sábado fila para o banho no chuveiro de lata pendurado numa corda, cuja torneira se abria e a água acabava no bom do banho com sabão de soda e esponja natural. A latrina era a privada com fossa direta lá longe de casa. As frutas eram chupadas no pé, aproveitando as frutas da estação sem pagar por elas. As brincadeiras eram livres e exercitavam o corpo. Os alimentos naturais não tendiam a alimentação propícia à obesidade. Doces, gasosa, bolos recheados, pão branco e bolachas pintadas, só nos natais da vida ou em ocasiões anuais especiais, de festas.

      No fim das tardes o aroma do pão misturado (pão de milho) quentinho feito no forno de barro era aos poucos substituído pelo doce cheiro das batatas doces assadas no fundo do forno sobre as brasas reservadas.

"...Óh, que saudades que eu tenho

Da aurora da minha vida, da minha infância querida

Que os anos não trazem mais..." (Meus oito anos- Casimiro de Abreu- fragmentos)

 

      Caro(a) Leitor(a), por que será que hoje em dia onde come um não dá para dois ou três?

... Como é o perfil dos filhos adolescentes do século XXI, segundo Içami Tiba?

      ...Muitos são escravos do consumismo e outros esperam que as coisas caíam do céu... Nossos filhos (alguns ou muitos deles), são da geração canguru como diz o psiquiatra e psicodramatista Dr.  Içami Tiba, quando em outros tempos os filhos saíam cedo de casa para fugir do autoritarismo dos pais, do tempo que as partes da carne boa do frango era do pai, filho comia muita asa e pescoço, saía de casa e ia à luta para ocupar um espaço.             Esse pai sofrido, batalhador, reagiu com a mentalidade dada a criar seus filhos dando cedo a coxa e o peito do frango à eles, falhou na educação permissiva... Resultando na geração canguru...

 (segundo Içami Tiba- Adolescentes do século XXI))

     

       Sem generalizar... A se pensar!!!...   

 

      Os tempos mudam, os hábitos e costumes são novos modos de vida, evoluem, melhoram ou pioram, dependendo do olhar de cada um ou daqueles que viveram outra época com histórias tecidas, vividas, repassadas, porém passíveis de mudanças em novos tempos.

 

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