Professor Me. Ciro José Toaldo
Essa questão é fundamental para nós, pois, frente a tantas perturbações, cobranças e desafios, perdemos a motivação para buscar o aperfeiçoamento pessoal. Quantas pessoas fazem terapia, participam de grupos, frequentam templos religiosos e continuam tendo dificuldades para se perguntar: 'Estou crescendo interiormente e sendo uma pessoa melhor?
Esse tema pode ser abordado por inúmeras vertentes, conceitos, correntes de pensamento e diferentes diretrizes, sejam elas filosóficas, teológicas, psicológicas ou existenciais. Seguirei a diretriz espiritual. Sinto que vivemos envoltos em egoísmo e aparências. A sobrevivência transforma o ser humano em robô: ele vive para o trabalho e cumpre obrigações rotineiras, mas desliga-se de seus sentimentos; e, sem emoção e capacidade de refletir, o sentido da existência perde o valor. E este afastamento de nós mesmos enfraquece todos os vínculos, inclusive o espiritual, que nos conecta aos outros seres e à própria existência.
Diante disso, surge uma pergunta inevitável: é possível tornar-nos pessoas melhores quando estamos excessivamente preocupados apenas conosco? E ainda mais: é possível crescer verdadeiramente sem deixar uma contribuição positiva na vida daqueles que encontramos pelo caminho?
Não vivemos em uma bolha. Para buscar o aperfeiçoamento pessoal, precisamos, primeiro, desenvolver a coragem de olhar para dentro de nós e reconhecer que, muitas vezes, somos algozes de nossa própria evolução, pois não nos permitimos mudar. Não controlamos a irritação, nem a raiva, muito menos a agressividade. E o pior: alimentamos ressentimentos. Assim, vivemos em função do nosso ego, ferido pelo orgulho e alimentado pela vaidade.
O primeiro passo para ser uma pessoa melhor é reconhecer-se frágil e assumir a responsabilidade de desejar transformar essa fragilidade. Aliás, a vida é uma grande escola, na qual somos convidados ao aperfeiçoamento moral. As dificuldades encontradas no cotidiano, às vezes dolorosas, representam oportunidades de crescimento.
Quando se deixa de enxergar apenas o problema e se procura aprender com a experiência, transforma-se o acontecido em possibilidade de crescimento.
Nem sempre podemos mudar o outro. Na verdade, raramente conseguimos fazê-lo. Mas podemos mudar nossa maneira de nos relacionar com ele. Podemos escolher responder de outra forma. Podemos aprender a ouvir. Podemos estabelecer limites sem agressividade. Podemos compreender sem concordar. Podemos perdoar sem permitir que o outro continue nos ferindo. Podemos, enfim, transformar a nós mesmos. Eis a verdadeira mudança.
Não se trata de construir uma imagem de virtude para receber reconhecimento, pois a transformação acontece no mundo interior, quando ninguém está olhando e, ainda assim, escolhemos agir corretamente. Quando somos contrariados e conseguimos ouvir.
Quando percebemos nossas imperfeições e, em vez de justificá-las, procuramos superá-las. Isso não significa tornar-se perfeito, apenas ser hoje um pouco melhor do que fomos ontem. Significa compreender que cada encontro, cada dificuldade, cada conflito e cada experiência pode oferecer uma oportunidade de aprendizado.
A transformação moral não acontece de uma única vez. Ela é construída lentamente, nas pequenas escolhas de cada dia. Quando se consegue transformar o orgulho em humildade, a irritação em compreensão, a agressividade em diálogo, o egoísmo em solidariedade e a indiferença em compaixão, nossa própria existência começa a se transformar em uma mensagem.
Talvez tenhamos até mesmo que mudar a pergunta inicial — 'Estou me tornando uma pessoa melhor?' — para: 'A minha presença torna um pouco melhor a vida daqueles que caminham comigo?'
Essa é uma pergunta que cada pessoa precisa responder, não com palavras, mas com a própria maneira de viver.
Portanto, viver não requer receituário nem orientação externa, mas sim uma conduta interior que leve à grande reação de mudar o universo existencial de cada pessoa.
Ótima reflexão para todos!"
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