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PP está aberto ao diálogo para as eleições 2014, diz Joares Ponticelli, governador interino de SC

Em entrevista ao Notícias do Dia, presidente da Assembleia Legislativa falou sobre os 10 dias em que estará à frente do Estado

Felipe Alves / Florianópolis

 
Link da matéria: http://ndonline.com.br/florianopolis/noticias/119517-pp-esta-aberto-ao-dialogo-para-as-eleicoes-2014-diz-joares-ponticelli-governador-interino-de-sc.html
 
Até domingo, o presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, Joares Ponticelli (PP), é o governador do Estado. Enquanto Raimundo Colombo (PSD) estiver em viagem à França e Rússia, para fechar acordos com empresas estrangeiras, e o vice-governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB) em férias, Ponticelli será o responsável pelos encaminhamentos necessários ao poder Executivo em Santa Catarina.
A presença de Joares no poder aproxima o PP do PMDB e PSD, sugerindo uma possível coligação para as eleições de 2014. Em entrevista aos jornalistas do Grupo RIC, o atual governador falou sobre os 10 dias de interinidade, a vitória de Claudio Vignatti para a presidência do PT no Estado, e a consolidação do PP para 40 candidaturas a deputado estadual e 16 a deputado federal para 2014.
 
Como o senhor avalia os primeiros dias à frente do governo?
É uma experiência muito rica, uma oportunidade que o governador Raimundo Colombo e o vice, Eduardo Pinho Moreira, me deram de conhecer um pouco mais o governo por dentro. Eu acompanho as ações e o ritmo que é dado a elas. Mas agora, à frente do cargo, consigo ver o volume de trabalho é ainda maior do que eu tinha a impressão. Acho que a gestão em Santa Catarina se diferencia das demais pela capacidade que o governador teve de construir estes processos de investimentos que estão espalhados por todo o Estado. Não tenho dúvida de que em um ano e meio ou dois, quando este conjunto de obras estiver entregue à comunidade, vamos ter uma transformação, que vai nos fazer progredir ainda mais.
 
Durante a interinidade, quais ações estão previstas?
Procuro manter a rotina normal do governo. Pretendo ter uma passagem extremamente discreta. Tenho consciência de que é um exercício de interinidade e tenho que conduzi-lo com lealdade. Pretendo sancionar algumas leis para homenagear deputados, leis de iniciativas parlamentares; promover um gesto em favor da Assembleia e dos deputados, por que também tenho consciência de que estou no governo em um gesto de reconhecimento do governador e do vice ao parlamento. Entre essas leis, uma é de minha autoria, e pretende fazer com que hospitais e maternidades façam a coleta das impressões digitais da criança logo após o nascimento. Isso vai garantir mais segurança para as famílias. Garantir que essa criança não seja trocada na maternidade. Vai facilitar a identificação de uma criança furtada ou sequestrada. Essa questão dos desaparecimentos em Santa Catarina me preocupa bastante. São 3 mil por ano e 42% são crianças.
 
No Fórum Parlamentar Catarinense, em Criciúma, o senhor disse que o governo precisa construir caminhos para recuperar o grande prejuízo que o Sul do Estado teve com “a decisão equivocada da paralisação da duplicação da BR-101, em Palhoça”. Existem mesmo abismos entre regiões de Santa Catarina? O que deveria ser feito para remediar isso?
Santa Catarina se destaca no cenário nacional por vários aspectos. É um Estado que tem uma formação étnica multifacetada, uma colonização predominantemente europeia, um modelo de desenvolvimento hegemônico e espalhado por todo o Estado, uma distribuição de terra muito justa (95%). Nós não temos nenhuma região mais importante que a outra. O Sul do Estado não é mais importante que nenhuma outra região, mas também é verdade que, por conta do equívoco da paralisação da duplicação da BR-101, em Palhoça, o Sul do Estado teve um prejuízo de R$ 32 bilhões, neste período. Um estudo da Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina) encomendou e a Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina) apurou este número. Esses R$ 32 bilhões são o equivalente à receita do Estado de Santa Catarina em dois anos. Recuperar toda esta perda será um processo lento e difícil. Precisamos empreender um esforço muito grande para isso. Percebo que o governo tem uma preocupação em dispensar atenção maior para estas regiões economicamente mais reprimidas e, coincidentemente, as duas regiões mais reprimidas são o Sul e o Planalto Serrano, exatamente a terra do vice-governador e do governador. Então, ao longo de mais dois ou três anos, à medida em que esses investimentos que estão em andamento forem entregues à comunidade, penso que a gente vai dar uma recuperada nessas perdas todas que essas regiões têm tido.
 
Se o senhor fosse efetivamente governador, qual seria seu principal foco de atuação?
Nós precisamos primeiro – atendendo ao chamamento das ruas – buscar e participar da reconstrução do pacto federativo do Brasil. O Executivo, seja na esfera estadual ou municipal, enfrenta cada dia mais desafios. Nós temos um processo que é absurdo e equivocado de concentração da renda e do poder em Brasília. Estados e municípios têm cada vez menos condições de decidir e financiar ações, pois o poder central está tomando conta de todo dinheiro e de toda decisão. O que a gente percebe é que os governos de Estados estão em processo de engessamento muito forte e, por isso, o povo foi para as ruas. Entre a tomada da decisão e a ação concreta se perde muito tempo. Ou por falta de dinheiro ou por excesso de burocracia.
 
Como o PP, o PT também tem uma posição relevante para o cenário eleitoral de 2014. Qual a sua análise sobre a vitória de Claudio Vignatti para a presidência do PT em Santa Catarina? O que isso muda na composição do PP?
Confesso que me surpreendi pela diferença de votos, mas acho que a vitória do Vignatti trouxe um sentimento das bases do PT. A militância tem tradição de busca e de apresentação de uma proposta própria. Acho que a vitória do Vignatti compromete ainda mais uma candidatura de oposição ao governo do Estado. Mas o processo ainda está muito inicial, há um longo caminho, muitas discussões. O nosso partido conseguiu sair da condição de isolamento que se encontrava. Sozinho ninguém ganha eleição. Nós mesmos temos esta amarga experiência, perdemos exatamente três eleições consecutivas.
 
Rosane Lima/ND
 
 
 
 

 

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