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CEOs das maiores agroindústrias de alimentos do país debatem fatores de competitividade
Programação do segundo dia do SIAVS também contou com painel sobre tendências na produção de carnes de aves e suínos
O Brasil tem vocação consolidada como fornecedor de proteína animal e um cenário futuro de grandes oportunidades a partir das mudanças internacionais. Essa é a visão dos CEOs das três agroindústrias do país que lideram a produção e a exportação, expressa em painel no segundo dia do Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura (SIAVS), nesta quarta-feira (30). A atividade foi mediada pelo vice-presidente de Mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.
Presidente da Aurora Alimentos, Mario Lanznaster defendeu que o país reúne as condições necessárias para expandir sua atuação global. Destacou o mercado chinês, no qual cada habitante consome 5kg de carne por ano, enquanto no Brasil a média está em 98kg. "Temos muitas coisas boas para mostrar lá fora e aumentar a nossa presença. Podemos ainda avançar em produtividade, mas as perspectivas são boas", disse Lanznaster.
Alexandre Almeida, vice-presidente Brasil da BRF, apresentou as principais novidades no consumo de proteína animal. De acordo com o executivo, existe hoje uma consciência coletiva sobre meio ambiente e problemas sociais e um aumento do nível de exigências por parte das pessoas. "Temos de entender o consumidor e responder às tendências do mercado mundial. As demandas são cada vez mais específicas e regionais. As grandes empresas devem sair da visão de commodity e focar no atendimento às pessoas", defendeu.
Para Gilberto Tomazoni, presidente global de operações da JBS, um dos principais desafios do setor se encontra em diminuir a lacuna entre falsas percepções dos consumidores e a realidade. Ele ressaltou, por exemplo, que a população costuma pensar que a produção de alimentos está concentrada em grandes produtores - quando, na verdade, é um trabalho realizado por mais de 150 mil integrados, dos quais 130 pequenos produtores. E apontou duas tendências contraditórias na atualidade: "Temos, de um lado, o crescente consumo de proteína. Por outro, pessoas que demandam produtos orgânicos e animais criados soltos. Precisamos estar preparados para ambas as frentes", frisou Tomazoni.
Destaques internacionais apresentam tendências para aves e suínos
A abertura do segundo dia de palestras e debates do SIAVS teve dois destaques internacionais: James Sumner, presidente do USA Poultry & Egg Export Counsil (USAPEEC), dos Estados Unidos, e Daniel de Miguel, presidente da Interporc, da Espanha. O painel foi mediado por Mario Sergio Cutait, diretor do Departamento de Agronegócio da Fiesp.
Sumner falou sobre o crescimento da demanda mundial de carne de frango no mundo, com Brasil e EUA na liderança das exportações. O americano projetou que países com alta densidade populacional - como China e Índia - devem aumentar substancialmente o consumo de proteína animal. "O Brasil tem muitas vantagens no mercado mundial, sendo a única real opção para muitos mercados agora", disse Sumner, mencionando o surto de influenza ocorrido nos EUA em 2014. Ele é também presidente do International Poultry Counsil (IPC), entidade que tem como vice-presidente Ricardo Santin, vice-presidente de Mercados da ABPA.
Falando sobre o mercado de suínos, Daniel de Miguel tratou da intensificação da produção nos principais players globais, entre eles o Brasil; da melhora dos sistemas produtivos e também do aumento da demanda. O presidente da Interporc salientou ainda a importância de agregar valor para atender as exigências de um novo perfil de consumidor. "Nosso desafio é aumentar a exportação de produtos elaborados, e não apenas de commodities. Isso irá assegurar melhor sustentabilidade à economia, com empregos e a valorização da produção nacional".
Programação do SIAVS
Completou a programação de hoje no auditório principal o Simpósio Feed&Food: Sustentabilidade e Marketing no Agronegócio. Nas salas paralelas, temas como salmonela e listeria, reciclagem animal, resistência antimicrobiana, enfermidades emergentes em suínos e novos rumos sobre inspeção foram discutidos por especialistas. Um painel em homenagem aos 40 anos ao Centro Tecnologia de Carnes (CTC) também foi apresentado.
O último dia de SIAVS 2017, quinta-feira (31), inicia às 9h, com painel sobre inovações no abate e processamento de aves e suínos. Às 11h, palestras sobre o perfil do novo consumidor. Saúde e segurança do trabalho, avanços na nutrição, logística e abastecimento de grãos, bem-estar animal e uma série de fóruns sobre diferentes temas técnicos completam a programação. Informações completas no site siavs.org.br.
Jornalista Paulo Cezar Abrahão Prates,
Assessor Dr. Francisco Turra/ABPA.
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