Capinzal 77 anos: no aniversário, município ganha presente para a Saúde |
ANALISTA POLITICO
SEVERINO LAVANDOSCKI
EMAIL: SEVESUL@HOTMAIL.COM
Tentando manter a ética
Diante da gravidade das denúncias de corrupção que pesavam contra ele, o ministro Wagner Rossi, da Agricultura, não resistiu às pressões dos últimos dias e pediu afastamento do cargo. Num período de pouco mais de dois meses, foi é a quarta defecção ministerial que sofre a presidente Dilma Rousseff. Anteriormente caíram Antonio Palocci (Casa Civil) e Alfredo Nascimento (Transportes), ambos por envolvimento em negócios mal-explicados, e Nelson Jobim (Defesa), por críticas a colegas de ministério. No caso específico de Wagner Rossi, ainda que pesassem sobre si sérias suspeitas de desvios éticos, o governo vinha relutando em afastá-lo pelas consequências políticas que a demissão poderia provocar. Ministro da cota do PMDB e indicado diretamente pelo vice-presidente Michel Temer, o Palácio do Planalto estava disposto a mantê-lo na função e dessa forma evitar atritos com o seu principal aliado. A preocupação maior era não repetir o ocorrido com o Partido da República (PR), que deixou a base governista depois da demissão do ministro Alfredo Nascimento, juntamente com seus assessores diretos.
O que se observa diante dos últimos acontecimentos pelos lados de Brasília é que Dilma vem enfrentando um aparente dilema. Estaria a presidente dividida entre a disposição de punir com rigor os envolvidos em falcatruas e o mal-estar que medidas dessa ordem já acarretaram para o seu governo. Um conflito que, a bem da verdade, não deveria existir, partindo-se do princípio de que as normas éticas pelas quais a administração pública precisa se pautar têm que coexistir com o entendimento político e a governabilidade.
É preciso que se diga que muitos dos problemas de corrupção vindos à tona não são de agora. A extrema leniência com que Lula sempre tratou os aliados políticos, mesmo aqueles flagrados em situações nada republicanas, acabou deixando uma herança pesada de vícios que está se tornando insustentável para Dilma. Não é por acaso que todos os ministros que deixaram o seu governo integraram o staff lulista. Agindo com especial prudência e sabedoria, Dilma deve prosseguir com faxina que vem fazendo na Esplanada dos Ministérios, preferencialmente com a devida presteza para pôr termo ao desgaste a que seu governo vem sendo exposto. A partir de então, deve concentrar esforços na discussão e viabilização dos grandes projetos de interesse da nação. Para tanto, conta com o respaldo da opinião pública e o apoio manifestado por nomes respeitados do Congresso, que avalizam as medidas moralizadoras já tomadas. Afinal de contas, uma suposta governabilidade calcada em acordos e conchavos espúrios não pode substituir o necessário entendimento de alto nível que deve existir para garantir a necessária sustentação política que todo governo precisa ter.
Deixe seu comentário