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Autoridades precisam levar em conta o estatuto das cidades e a mobilidade urbana

Dias de chuva e de pagamento da grande agroindústria resulta no engarrafamento da minúscula área comercial

O problema do livre trânsito não é o aumento da frota de veículos, e sim, por falta de planejamento do centro de Capinzal para atual e futura geração, porém, ainda há tempo para uma ação preventiva.

 

A tarde de segunda-feira, 10 de setembro foi marcada por um verdadeiro caos (ausência total de ordem e de regularidade) no que deveria ser livre trânsito na minúscula área comercial de Capinzal (SC).

O problema é que no último final de semana a grande indústria: Brasil Foods (BRF) fez o pagamento dos vencimentos de seu quadro funcional, porém, a sexta-feira, dia 07 de setembro era feriado da independência, portanto, restou o sábado pela manhã para ir às compras e pagar as contas, no entanto, o tempo não foi o suficiente para poder honrar com os compromissos. Numa desta, bem poderia ser feito o Dia “C” no sábado, então não daria todo o congestionamento (engarrafamento) na minúscula área comercial como aconteceu na tarde de segunda-feira.

Como somos uma imprensa imparcial, inclusive apontamos o problema e sugerimos a solução, então fizemos uma pergunta para os dois candidatos a Prefeito do Município de Capinzal, sendo da Frente Democrática Popular (PMDB/PV/PR/PTB), Leonir Boaretto (15) e Renova Capinzal (PT – PP – PSDB – PcdoB – PDT – DEM e PSD), Andevir Isganzella (13). A pergunta foi feita na edição de nº1.085, de 31/08/2012, inserida na página nº08, assim questionando os mesmos: O que pretende fazer para amenizar ou solucionar o problema da má circulação de veículos no centro da cidade, principalmente, em dias de chuva e de pagamento da grande agroindústria? Resposta de BOARETTO: A frota de veículos aumentou significativamente nos últimos anos em Capinzal. Para reduzir a circulação de veículos na área central é preciso que a população utilize o transporte coletivo de passageiros. Sabemos que, antes de qualquer coisa, é uma questão cultural. Mas, para contribuir e estimular o uso do transporte público, vamos ampliar e renovar a frota, estender os itinerários e implantar novas linhas, mantendo uma tarifa justa. Pretendemos implantar novas linhas para atendimento dos loteamentos mais próximos ao centro utilizando, para isso, carros de menor porte, mais adequados para o sistema viário daqueles locais. É o caso dos loteamentos Lanhi, Arco-Íris, Pôr do Sol, Santa Maria, Maximiliano Toaldo, São Luiz, Jacob Dorini, São João, Helt, Hanel, Campioni, Maiara, São Roque, Santa Terezinha, Jardim da Serra e adjacências. Acreditamos que mantendo um transporte público de qualidade e com uma tarifa justa, como temos, vamos estimular o uso alternativo pela população. A médio e longo prazos, a alternativa é a expansão das atividades comercial e de serviços na Cidade Alta, como vem ocorrendo atualmente, de modo que a população possa atender suas necessidades sem se deslocar ao centro da cidade.

  Resposta de ISGANZELLA: R.: Além de manter o estacionamento rotativo, negociando com a empresa concessionária que opera o sistema com preços justos, também pretendemos deslocar alguns serviços que hoje são oferecidos apenas na cidade baixa, para a cidade alta, como um escritório do SIMAE para que os consumidores daquela região não precisem vir ao centro para pagar as tarifas ou resolver pequenos problemas. Também articular junto a Celesc e empresas de telefonia para agirem da mesma forma.  Garantir um transporte coletivo de qualidade a preços compatíveis com campanhas de incentivo para que as pessoas da cidade alta se motivem a deixar o veículo em casa e venham ao centro de ônibus, diminuindo, assim, o fluxo de carros nas ruas. Negociar com as agências bancárias para a instalação de pontos de atendimento naquela região.

 

No nosso modo de ver, de analisar e de entender, o problema maior de Capinzal é que o município está com 63 anos de emancipação político-administrativa, sendo que muitos prefeitos se sucederam no poder e nenhum até o momento planejou e adequou a cidade a sua realidade, ou seja, deixaram de realizar ações e serviços para expandir a cidade alta. Já era o tempo que a cidade precisa estar situada às margens de rios, devido ao transporte ferroviário, então os capinzalenses da parte baixa do município residem numa cidade velha, ou seja, sendo planejada para veículos puxados pela tração animal, levando em conta as quadras serem pequenas, ruas e passeios estreitos. 

É lamentável saber que o centro da cidade vem passando de residencial para comercial, ou seja, as edificações planejadas para serem residências vêm sendo transformadas em salas comerciais, as quais, muitas delas, não têm garagem e nem estacionamento privativo, portanto, é uma das questões que foi implantado o estacionamento rotativo. Se temos a passagem mais barata do país no transporte coletivo, também devemos levar em conta que o trajeto feito pelos veículos da municipalidade é um dos mais curtos, inclusive, o tempo cobrado por vaga no estacionamento rotativo é um dos mais caros em nível regional, apesar de são sermos uma cidade polo, mas apenas sede de Comarca sem muitas opções de entretenimento, cultura, lazer e até comercial.    

O grande problema é que as agências bancárias e as cooperativas de crédito e a casa lotérica estão situadas quase num aglomerado, muito próximas umas das outras, resumindo em quatro quadras pequenas, numa distância que não chega a trezentos metros. Além disto, Fórum, Prefeitura, Correios, hospitais, rodoviária, farmácias, lojas de confecções – cama – mesa – banho – calçados – supermercados do gênero alimentícios, entidades representativas e muito mais, tudo está localizado na minúscula área comercial. Então fica difícil dispor de uma área comercial restrita (que tem pequenas proporções – reduzido) comportar tanta gente e tantos veículos que descem da cidade alta e dos loteamentos arredores da cidade baixa. Para uma maior reflexão, podemos colocar Capinzal dentro de São Paulo, mas não conseguiremos fazer com que São Paulo caiba em Capinzal. Então fica fácil entender que a minúscula área comercial já não comporta mais a demanda, pois o espaço é limitado para tanta gente e carro que se desloca até a mesma.  

A má circulação de veículos também se deve aos semáforos burros, pois precisamos de sinaleiras inteligentes, sendo uma sincronizada na outra sem precisar que motorista e motoqueiro acelere, e sim, mantenha uma velocidade baixa e consiga pegar um sinal atrás do outro aberto, sem precisar parar. Também existe a necessidade de sinal para pedestre, disciplinando quem anda a pé a aguardar a sua vez para fazer a travessia da via pública. Também é bom educar o pedestre que passe na faixa de segurança e não em qualquer lugar, inclusive, quando for atravessar, primeiro veja e seja visto, porém, o faça mais rápido possível, jamais caminhando lentamente querendo provocar motorista e motoqueiro que lhe deram a preferência, já que o livre trânsito não deve parar.

Para que tenhamos um trânsito humanizado, precisamos quem sabe destas ações:

- Que o condutor de veículo entenda a legislação de trânsito (direito e obrigação);

- As guaritas devem estar em locais que o transporte coletivo não pare no meio da rua, evitando atrapalhar o trânsito.

- Quando o sinal estiver aberto no semáforo, condutor de veículo fique atento, pois imediatamente ande, pois outros atrás estão esperando para dar continuidade ao livre trânsito.

- Pedestre, veja e seja visto, porém, nunca atravesse sem ver se tem tempo para fazer isto a qualquer momento, pois o veículo pode estar mais adiantado e a vez é dele e não sua.

- Motoqueiro faça a ultrapassagem a onde é permitida e jamais o faça por ambos os lados, no sentido de evitar acidente, e sempre ande de luz acesa.

- Em rotatória dê a preferência a quem de direito, pois essa é uma ferramenta que serve de retorno.

- Implantar semáforos inteligentes também com sinal para pedestres, no sentido de evitar que o mesmo arrisque a integridade física fazendo a travessia da rua em momento indevido. Que os semáforos sejam sincronizados uns aos outros, possibilitando ao condutor de veículos passar por todas as sinaleiras sem precisar parar, porém, mantendo uma velocidade “X”, o que lhe possibilita sinal aberto.

- Condutor de veículo, não pare bruscamente, portanto, sempre veja o retrovisor para evitar o risco de colisão com o veículo que vem atrás.

- Motorista e motoqueiro não fiquem sendo gentis e educados demais com os pedestres descuidados, pois quem está caminhando deve atravessar a rua na faixa quando está adiantado, também em semáforos que não tem sinal para o mesmo, este deve esperar e em outros lugares é um risco cortar a frente de veículos.

- Andar em marcha lenta e não dar o direito de ultrapassagem significa deixar o trânsito conturbado, sendo passivo de multa.

- Motoqueiro, não é permitido uma moto andar ao lado da outra, e sim, em fila indiana, uma atrás da outra, pois o livre trânsito não pode parar por um capricho seu em favorecer para má circulação e fluxo de veículos.

- Motoristas, motoqueiros e pedestres, é importante ser prudente, pois a imprudência causa aborrecimento futuro. Então é bom saber que a rua é um espaço para os veículos, já as calçadas servem aos pedestres, porém, a faixa de pedestre deve ser usada da melhor maneira possível, ou seja, olhe para os dois lados, 2, 3 ou mais vezes, até ter certeza de que nenhum veículo se aproxima e deixe claro a intenção de atravessar.

- Alunos lembrem-se de que seu espaço é a calçada e não o meio da rua, também quando for atravessar uma faixa de pedestre, o faça de maneira rápida e quando estão em bando, sejam rápidos, pois o trânsito não pode estar à disposição tanto tempo assim como pensam.

O melhor caminho de momento para que não aconteça o congestionamento do trânsito na cidade baixa é tirar o fluxo de veículos pesados da área central através da construção do anel viário, e também construir outra ponte para servir de contorno viário no vai e vem das cidades coirmãs, Capinzal e Ouro, apenas separadas pelas águas do Rio do Peixe. É um bem necessário  construir o prédio da Prefeitura na cidade alta, só assim o comércio vai se expandir para lá, caso contrário, uma empresa fica esperando a outra fechar para abrir um empreendimento no mesmo local. Com a Prefeitura na cidade alta, certamente as agências bancárias, casa lotérica, Correios, Serviço Intermunicipal de Água e Esgoto – Simae, Celesc, prestadora de telefonia e outras passariam a colocar postos de serviços, consequentemente, não precisaria o pessoal descer na cidade baixa para honrar com os compromissos de tarifas e muito mais.

A minúscula área comercial está igual a propaganda, só existe o Posto Ipiranga onde se faz tudo, portanto, essa é uma jogada de marketing, porém, no caso de Capinzal é preciso ser arrojado e determinado, mas para tanto é necessário ter vontade de fazer a coisa acontecer. E quem pode fazer algo? A solução do problema está nas mãos das autoridades competentes, seja do prefeito, vice-prefeito, dos vereadores e até da justiça (Ministério Público e Judiciário), pois da maneira que está não é mais admissível tanto descaso.  

O trânsito na minúscula área comercial se resume em parte das ruas XV de Novembro, Dona Linda Santos, Ernesto Hachmann, Narciso Barison, Carmelo Zocolli e Dom Vicente Gramázio, porém, considera-se apenas sete pequenas quadras. Devido ao aperto das quadras, ruas e passeios, dizem que quem dirige em Capinzal consegue dirigir em qualquer grande centro, mas para nós que vivemos há muito tempo em território capinzalense, não é admissível certos motoristas e motoqueiros cortarem a frente uns dos outros, tampouco andem devagar demais, não dão o direito de ultrapassagem e quase esperam fechar o sinal no semáforo para começar a andar. Também é momento dos motoqueiros obedecerem à lei de trânsito, pois se a moto está numa quadra, não devem e não podem sair do estacionamento e seguir na contramão no sentido de direção pensando em economizar dinheiro e tempo, pois podem dar sorte para o azar.

Muitos do centro da cidade vão e voltam do trabalho a pé, então os dos loteamentos e principalmente da cidade alta, bem poderiam usar do transporte coletivo. O grande diferencial seria mudar os dias de pagamento das tarifas e das compras em geral, pois a maioria que recebe o pagamento e o vale na grande agroindústria vai para o comércio no mesmo dia ou no dia seguinte do recebimento do vencimento, então, é muita gente e muitos veículos para um espaço insuficiente para tanta movimentação.

Além do prédio da Prefeitura na cidade alta, também poderia ser pensado em auxiliar na construção de um shopping Center, pois neste tipo de empreendimento abriga vários tipos de comércio e serviços, ainda dispõe de estacionamento privativo. Devemos colocar na cabeça de uma vez por todas, a cidade baixa não foi planejada para o futuro, portanto, a solução é aceitar e investir no progresso e no desenvolvimento da cidade, como já ocorreu em outros municípios, por exemplo, Videira e tantos outros mais em Santa Catarina e em outros estados.

Também tem como alternativa, como aquela que há muito tempo defendemos, de canalizar parte do Rio Capinzal para servir de estacionamento para motocicletas e como calçadão. Como a ferrovia está paralisada há 29 anos, poderia ser aproveitado também para estacionamento e via pública. 

Autoridades que estão com o poder de decisão, vamos vislumbrar novos horizontes, para tanto, devem levar em conta o estatuto das cidades (estabelece normas de ordem pública e interesse social que regulam o uso da propriedade urbana em prol do bem coletivo, da segurança e do bem-estar dos cidadãos, bem como do equilíbrio ambiental) e a mobilidade urbana. É fundamental oferecer as condições necessárias para o deslocamento das pessoas. Segundo a fonte do Diário do Grande ABC mobilidade é conseguir se locomover com facilidade de casa para o trabalho, do trabalho para o lazer e para qualquer outro lugar onde o cidadão tenha vontade ou necessidade de estar, independentemente do tipo de veículo utilizado. Ainda: o conceito não deve ser confundido com o direito de ir e vir preconizado pela Constituição. Ter mobilidade urbana é pegar o ônibus com a garantia de que se chegará ao local e no horário desejado, salvo em caso de acidentes, por exemplo. É ter alternativas para deixar o carro na garagem e ir ao trabalho a pé, de bicicleta ou com o transporte coletivo. É dispor de ciclovias e também de calçadas que garantam acessibilidade aos deficientes físicos e visuais. E, até mesmo, utilizar o automóvel particular quando lhe convier e não ficar preso nos engarrafamentos.

Para melhor contribuir, fotografamos e filmamos o verdadeiro caos que se transforma a minúscula área comercial, pois naquela segunda-feira, o pessoal se deslocou para o centro da cidade quase que exclusivamente de carro por causa da chuva e para poder pagar as contas, então resultou no grande engarrafamento nas ruas que mais parecem carreiros, também não é para menos, o centro da cidade foi planejado para a Maria Fumaça e depois para as locomotivas que lhe sucederam na malha ferroviária e pelas ruas estreitas passavam carroças puxadas pela tração animal, pois até hoje sequer comporta um serviço condizente de carga e descarga. É bom lembrar, que boa parte do comércio não tem a autorização dos bombeiros na questão de segurança, pois falta porta de saída emergência, já que as salas comerciais eram residências, não adequadas para tanto.    

Não podemos e não devemos ficar nas promessas de ex-prefeitos e dos futuros prefeitos, o problema existe e vai ficar mais grave ainda, pois teremos o monitoramento da cidade por câmeras, então ninguém vai arriscar ultrapassar, apesar de São Paulo, grande metrópole não ter parado, Capinzal vai sim parar caso não executarem uma ação cabível e aceitável para fazer o livre trânsito fluir.  

Obs: No site de O TEMPO – um jornal de fato muito mais fotos.

 

Não é o excesso de veículos, e sim, a área comercial é minúscula para comportar um aglomerado de empresas, instituições bancárias, órgãos públicos e outros. 

 

 

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