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Sucesso: basta lutar para alcançar? A resposta para essa pergunta é “não” ! Por: Evandro Ricardo Guindani

Prof. Evandro Ricardo Guindani

Universidade Federal do Pampa - Unipampa

É muito comum ouvirmos por aí que as pessoas conseguiram sucesso profissional ou financeiro porque lutaram e trabalharam, simples assim? Não! Ao analisarmos os detalhes da vida de quem ficou rico ou tem uma vida próspera, nos deparamos com inúmeros benefícios e privilégios que essa pessoa teve e que as vezes ficam invisíveis para quem olha de fora.

Muitas pessoas que tiveram esses privilégios, não os admitem e estufam o peito julgando os pobres, afirmando que os mesmos não querem trabalhar. Como se apenas trabalhar honestamente fosse o único critério para ter prosperidade financeira e profissional.

Em um mundo racista e preconceituoso em que vivemos, a própria cor da pele, gênero e sobrenome podem contribuir para você conseguir determinado emprego, promoções no trabalho e melhoria de salário. Se você é descendente de um avô ou bisavô europeu, por exemplo, no Brasil, já possui um injusto privilégio em relação aos demais. Você não pode estufar o peito e dizer que pegou na enxada desde os 7 anos de idade e que por isso ficou rico. Trabalhar nas próprias terras da família, com um bom café da manhã, almoço e janta não é a mesma coisa que vender balas na rua, de pés descalços, com fome e ter que levar dinheiro para pagar conta de luz e comprar comida em casa.

Quem se aprofunda em estudos sociológicos e históricos consegue facilmente verificar que melhores condições econômicas correspondem a maiores oportunidades de sucesso. Em pesquisa realizada em uma escola do interior do Rio Grande do Sul, no ano de 2018, identificamos como a realidade social e familiar dos alunos possui estreita relação com o rendimento escolar. Realizamos uma análise aprofundada do perfil socioeconômico de dois alunos de uma escola pública, moradores do mesmo bairro e pertencentes à mesma turma, o oitavo ano do ensino fundamental. O estudo revelou que uma aluna pertencente a uma família mais vulnerável economicamente, com o pai preso e a mãe trabalhadora informal, foi aquela que apresentou menor rendimento escolar. O aluno pertencente a uma família menos vulnerável com pai e mãe trabalhadores formais apresentou maior rendimento escolar.

Essa pesquisa foi baseada em teorias sociológicas de autores que realizaram estudos em outros países e identificaram como pequenos fatores familiares podem influenciar o futuro de uma criança. O fato de uma criança ter incentivo e apoio dos pais para estudar, poder fazer um curso de inglês, pode ser determinante também. Famílias que recebem herança dos pais e avós como terrenos, casas, terão privilégios em relação a outras famílias que precisam começar do zero a criação dos filhos.

Enfim, por isso, antes de julgar os mais pobres, é melhor você lembrar de todos aqueles que te ajudaram a ter prosperidade e reconhecer seus pequenos e grandes privilégios!

 O texto acima está baseado no livro: “O novo sucesso: uma crítica à meritocracia”, publicado pela Editora Appris. Se quiser aprofundar mais esse assunto, você pode comprar o livro no site da Editora: https://editoraappris.com.br/produto/o-novo-sucesso-uma-critica-a-meritocracia/

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