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10/02/2026 09:00
O TEMPO jornal de fato

Empreendedorismo ou fuga da exploração?

Prof. Evandro Ricardo Guindani Universidade Federal do Pampa - Unipampa

Por todos os lados ouvimos dizer que estão aumentando o numero de pessoas que abrem o próprio negócio. “Brasil atinge maior taxa de empreendedorismo desde 2020”, é o título de uma matéria do Portal Carta Capital, do último dia 08 de abril. Segundo a matéria, 47 milhões de brasileiros atuam em atividades empreendedoras...

“Número de empreendedores com mais de 55 anos cresce no Brasil” é o título de outra matéria publicada no Portal G1 no último dia 24 de março. Nesta matéria, uma das entrevistadas que é confeiteira, afirmou o seguinte: "Às vezes, a pessoa chega e diz: ‘Eu tenho um sonho de fazer um bolo assim, assim, assim’. Eu vou lá e tento fazer o mais próximo do que ela quer”. É esse ponto que eu gostaria de abordar sobre uma das motivações que levam milhares de pessoas a desistirem de procurar um emprego formal.

O grande estudioso do sistema capitalista, Karl Marx, afirmou que um dos problemas das relações de trabalho neste sistema é que o trabalhador se sente alienado em relação àquilo que produz. Por que? Porque ele passa o dia todo, fazendo algo repetitivo, e não vê sentido, não se sente parte daquilo que produz, daquela sua ação. Isso gera uma grande insatisfação e falta de motivação. A única motivação é o salário que recebe ao final do mês. E quando esse salário mal dá para comer, ou pagar as dívidas? Ele começa então a se questionar e tomar coragem de se libertar daquele emprego que está lhe adoecendo.

Certo dia comecei a analisar aquelas pessoas que realizam funções repetitivas no seu trabalho, ou passam o dia de pé, aguardando clientes numa loja... Percebi olhares tristes, corpos adoecidos, sem esperança. Precisam passar o dia em um lugar, sem nenhuma perspectiva de melhora de vida... Se precisa sair uns dez minutos para ir a um banco ou farmácia já encontram resistência do chefe. Penso que todos esses fatores levam as pessoas a deixarem empregos formais e se aventurarem na incerteza e insegurança de atividades muitas vezes precarizadas, como vender coisas na rua, trabalhar 18 horas ou mais por dia, fazendo bolos para encontrar compradores.

Não podemos romantizar o tal empreendedorismo. Devemos sim questionar a concentração de riquezas nas mãos de grandes trilionários, acionistas e proprietários de grandes conglomerados empresariais que acumulam lucros ilimitados a partir do trabalho de milhões de trabalhadores que recebem salário mínimo.

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