Curso de Fonoaudiologia da Unoesc Joaçaba realiza a 2ª Cerimônia do Jaleco |
Prof. Evandro Ricardo Guindani Universidade Federal do Pampa - Unipampa
Quem faz esta afirmação, não está fazendo uma escolha política, mas sim, praticando uma devoção. Existem pessoas que adoram e idolatram determinadas personalidades políticas. E ocorre a mistura de elementos políticos e religiosos.
A democracia moderna foi pensada, planejada, partindo do pressuposto de que o voto seria algo consciente, ou seja, marcado pela racionalidade e pela crítica. Não havendo isso, não há democracia.
A fé é cega, a devoção não aceita crítica ou reflexão, ela está ligada apenas à emoção, à paixão. Por este motivo, muitas pessoas, nas suas igrejas, no seu momento de oração, choram e se emocionam. Naquele momento ela está tomada pela emoção e jamais irá se questionar sobre a veracidade ou não do objeto de sua crença devocional.
Quando a política é tomada pela crença, fundamentalismo e fanatismo, não há como falar em democracia.
Para uma sociedade ser democrática, ela precisa necessariamente proporcionar o diálogo. O diálogo envolve dois “logos”, ou seja, dois princípios lógicos, duas opiniões apoiadas em lógicas diferentes, e não em crenças e paixões. Eu sei que é difícil separar isso dentro da gente, mas é necessário pelo menos fazermos o esforço.
Quando você começa a raciocinar, a questionar, a analisar dados, números, projetos e políticas públicas de determinados governos, parlamentares, é muito fácil de você fazer a escolha do voto. Para votar em candidatos a deputado que almejam a reeleição, por exemplo, basta analisar os projetos de lei, os seus votos na Assembleia ou no Congresso. Simples, você terá elementos concretos para decidir. Mas o que ocorre é o contrário, a sigla partidária geralmente assume o papel de “deus” ou “diabo”. A sigla partidária é importante sim, ela revela o que aquele grupo pensa sobre a sociedade. Veja, por exemplo, como votaram determinados grupos partidários em determinadas pautas e temas…
Infelizmente não é isso que acontece. Geralmente você conduzirá sua escolha a partir de postagens em redes sociais, inclusive de pessoas que falam sobre determinado candidato, às vezes você nem escuta o que o candidato pensa sobre o assunto, mas você vai no embalo da fofoca, e dos boatos. E isso compromete o seu processo de tomada de consciência. Você se deixa levar por discursos produzidos para você, e sem perceber, sua escolha está sendo construída por outros.
Nesta eleição procure se afastar do fanatismo presente às vezes dentro de sua casa, do seu grupo de whatsapp e tente fazer uma escolha racional, baseada em dados da realidade. Boa eleição!
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