Capinzal 77 anos: grande público celebra na Área de Lazer Dr. Arnaldo Favorito |
Prof. Dr. Adelcio Machado dos Santos Jornalista (MT/SC 4155)
Isagogicamente, o Dia Internacional de Direitos Humanos, celebrado em 10 de dezembro, é uma data dedicada à reflexão sobre a dignidade humana, à defesa das liberdades fundamentais e à reafirmação das lutas históricas que moldaram o marco jurídico que hoje orienta as nações. A data remete à adoção, em 1948, da Declaração Universal dos Direitos Humanos pela Assembleia Geral das Nações Unidas, documento que se tornou referência ética e política para a construção de uma sociedade internacional fundada no respeito à pessoa, na igualdade e na justiça. Mais do que uma comemoração, esse dia convoca a humanidade a reconhecer que os direitos humanos não são uma dádiva natural, mas conquistas que exigem vigilância, compromisso e ação contínua.
Destarte, ao longo das décadas, avanços significativos foram alcançados no plano mundial. A ampliação de tratados internacionais, a criação de organismos de proteção e a incorporação desses princípios nas constituições e políticas públicas de diversos países ilustram o impacto duradouro da Declaração Universal. No entanto, o espírito da data reside justamente na necessidade permanente de superar as contradições que persistem. Violações sistemáticas, discriminações estruturais, conflitos armados, desigualdades econômicas, violência de gênero, ataques à liberdade de expressão e desafios relacionados às migrações demonstram que a universalidade dos direitos ainda enfrenta obstáculos concretos e, muitas vezes, brutais.
Nesse sentido, o Dia Internacional de Direitos Humanos não se dirige apenas a Estados ou instituições multilaterais. Ele convoca a sociedade civil, a academia, os movimentos sociais, a mídia, as organizações comunitárias e cada indivíduo a refletir sobre seu papel na construção de uma cultura de respeito à vida e à diversidade. A defesa dos direitos humanos não é neutra: envolve posicionamento político, compromisso ético e sensibilidade social. Exige reconhecer que a humanidade é plural e que qualquer forma de violência, exclusão ou discriminação ameaça não apenas o indivíduo diretamente afetado, mas o próprio princípio de convivência democrática.
De outro vértice, o cenário atual, marcado por intensas transformações tecnológicas, crises ambientais e tensões sociopolíticas, coloca novos desafios aos direitos humanos. A ascensão de discursos de ódio, muitas vezes amplificados pelas redes sociais, evidencia a necessidade de fortalecer políticas de educação e de promoção da convivência pacífica. Ao mesmo tempo, a crise climática revela a urgência de considerar o meio ambiente como componente essencial da dignidade humana, ampliando a compreensão tradicional dos direitos para incluir a proteção dos ecossistemas, a sustentabilidade e a justiça socioambiental. Tais desafios reforçam que a proteção dos direitos humanos deve ser dinâmica, capaz de incorporar novas dimensões e responder a ameaças emergentes.
Outro aspecto importante a ser destacado é o papel da memória histórica. As violações do passado — guerras, genocídios, regimes autoritários, práticas discriminatórias — lembram que a ausência de mecanismos de proteção favorece o sofrimento humano em larga escala. O Dia Internacional de Direitos Humanos, portanto, também funciona como um ato de lembrança coletiva, um convite para que a história seja conhecida e discutida, evitando que injustiças se repitam. Preservar a memória é proteger o futuro, incentivando sociedades a rejeitar a violência e construir instituições que garantam a justiça e a equidade.
Ademais, a educação em direitos humanos assume posição central nessa construção. Ela não se limita ao ensino formal, mas envolve práticas cotidianas, políticas públicas e iniciativas comunitárias que desenvolvam empatia, senso crítico e consciência social. Promover uma educação orientada para os direitos humanos é preparar cidadãos capazes de reconhecer a humanidade do outro e de agir contra injustiças. Essa educação, quando efetiva, fortalece a democracia, pois incentiva a participação, o diálogo e o respeito às diferenças. Em contextos de desigualdade, ela funciona também como instrumento de empoderamento, dando visibilidade a grupos vulnerabilizados e reivindicando políticas que ampliem o acesso a oportunidades.
Da mesma forma, é essencial reconhecer o papel dos defensores de direitos humanos, pessoas e organizações que atuam muitas vezes sob risco, denunciando violações e exigindo que autoridades cumpram seus deveres. Seus esforços contribuem para tornar públicas situações invisibilizadas e para pressionar governos e empresas a assumirem responsabilidades. O dia 10 de dezembro também homenageia esses agentes, reforçando a importância de garantir sua integridade física e sua liberdade de atuação. Sem defensores protegidos e respeitados, sistemas de direitos humanos tornam-se frágeis e suscetíveis a retrocessos.
Destarte, no âmbito nacional de cada país, a concretização dos direitos humanos depende de políticas consistentes e de um Estado comprometido com a igualdade material. Isso significa investir em saúde, educação, moradia, alimentação, trabalho, segurança e cultura, reconhecendo que direitos sociais são tão fundamentais quanto direitos civis e políticos. A data reforça que não há hierarquia entre direitos: todos são interdependentes e indivisíveis. Uma sociedade que garante liberdade de expressão, mas convive com fome e exclusão, ou que oferece educação básica, mas tolera violência policial seletiva, não alcança a plena realização da dignidade humana. O equilíbrio entre políticas públicas amplas e mecanismos de garantia jurídica é o caminho para consolidar uma cidadania plena.
Em epítome, celebrar o Dia Internacional de Direitos Humanos é reafirmar que a humanidade compartilha valores comuns, ainda que enfrentando realidades distintas. É reconhecer que a dignidade não deve ser condicionada à nacionalidade, cor, gênero, classe social, religião ou orientação sexual. A data simboliza um pacto global que atravessa fronteiras e nos lembra que a defesa dos direitos humanos é tarefa diária, construída por gestos individuais e ações coletivas.
Por final, em um mundo em constante transformação, a relevância desse pacto se renova: é necessário, mais do que nunca, fortalecer laços de solidariedade, promover justiça social e assegurar que cada ser humano, em todos os lugares, possa viver com liberdade, igualdade e respeito.
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