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A ATUALIDADE DE KEYNES

Prof. Dr. Adelcio Machado dos Santos Jornalista (MT/SC 4155)

John Maynard Keynes, um dos economistas mais influentes do século XX, continua a ser uma referência fundamental para a compreensão e a formulação das políticas econômicas contemporâneas. Seu pensamento, desenvolvido principalmente na Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda (1936), rompeu com a ortodoxia clássica e introduziu conceitos que ainda hoje norteiam a atuação dos governos em momentos de crise. Diante dos desafios econômicos atuais, suas ideias permanecem relevantes, especialmente no que diz respeito ao papel do Estado na economia, à intervenção em momentos de recessão e ao combate ao desemprego.

O precípuo contributo de Keynes foi demonstrar que os mercados não são necessariamente autorreguláveis e que períodos prolongados de desemprego podem ocorrer sem uma intervenção externa. Ele argumentava que, em momentos de crise, a demanda agregada pode ser insuficiente para garantir o pleno emprego, tornando essencial a atuação do governo por meio de políticas fiscais expansionistas, como o aumento dos gastos públicos e a redução de impostos. Essa abordagem se tornou um marco na formulação de políticas econômicas e foi amplamente adotada após a Grande Depressão e durante a reconstrução pós-Segunda Guerra Mundial.

A crise financeira de 2008 e os impactos econômicos da pandemia de COVID-19 reavivaram o interesse pelo pensamento keynesiano. Diante da contração econômica gerada por esses eventos, governos ao redor do mundo adotaram pacotes de estímulo, ampliando investimentos públicos e fornecendo auxílios financeiros à população, em uma clara aplicação dos princípios keynesianos. As medidas emergenciais adotadas demonstraram que, sem a intervenção do Estado, a recuperação econômica poderia ser ainda mais lenta e desigual.

Contudo, o legado de Keynes também enfrenta desafios e críticas. Os defensores do liberalismo econômico argumentam que intervenções excessivas podem levar ao aumento da dívida pública e a distorções nos mercados. Além disso, a globalização e as novas dinâmicas econômicas trouxeram questionamentos sobre até que ponto as políticas keynesianas, concebidas em um contexto de economias nacionais mais fechadas, são plenamente aplicáveis na atualidade. Ainda assim, mesmo os críticos reconhecem que a ação estatal continua sendo um instrumento fundamental para enfrentar crises e garantir estabilidade econômica.

Por conseguinte, em um mundo marcado por incertezas, o pensamento de Keynes permanece essencial para compreender e enfrentar os desafios econômicos.

Em epítome, o se legado nos lembra que os mercados, por si sós, nem sempre garantem prosperidade para todos, bem como o Estado tem um papel crucial na promoção do bem-estar social e na busca pelo pleno emprego. Assim, a atualidade de Keynes não reside apenas em suas prescrições econômicas, mas também em sua visão de que a economia deve estar a serviço da sociedade, e não o contrário.

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