A RELEVÂNCIA DA ARTE NA FORMAÇÃO DO EDUCADOR I I I

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Adelcio Machado dos Santos.
 Para decidir o que é ou não é arte, a cultura possui instrumentos específicos. Um deles é o discurso sobre o objeto artístico, ao qual se reconhece competência e autoridade, proferido pelo crítico, historiador de arte, perito, etc.
Dessarte, o estatuto da arte não parte de uma definição abstrata, lógica ou teórica do conceito, mas de atribuições efetuadas por instrumentos da cultura, dignificando os objetos sobre os quais ela recai. 
O questionamento acerca do que vem a ser a arte remete também ao conceito do que é a estética. Kant (apud MORA, 2001) a definiu como sendo a ciência de todos os princípios a priori da sensibilidade. 
O desinteresse caracteriza a atitude estética no mesmo sentido em que o jogo é a atividade puramente desinteressada, a complacência sem finalidade útil ou moral. A prioridade do juízo estético requer, apesar de sua referência ao sujeito, o desprendimento neste último de tudo o que for alheio ao desinteresse e à finalidade sem fim.
 A tarefa da estética não consiste em estabelecer o que é a arte, ou o que deve ser o belo, sua tarefa compreende a especulação acerca das questões que se apresentam na experiência estética, uma vez que a estética não tem caráter normativo e não impõe nada.  
A estética trabalha com a reflexão e a experiência: constitui uma reflexão acerca da experiência proporcionada pela arte. 
A estética reflete sobre a experiência estética, de forma ampla e geral, sem se deter especificamente a uma única expressão. Cada tipo de arte vai contribuir, com sua especificidade, para a reflexão estética. 
Atualmente, a arte tem-se se tornado cada vez mais englobante, uma vez que as atividades profissionais exigem um maior conhecimento geral acerca do mundo e uma sensibilidade aguçada para entendê-lo. 
A sociedade atual vem trocando sua paisagem natural por um cenário desenvolvido pelo homem, pelo qual circulam pessoas, produtos, informações e, principalmente imagens.
Diariamente os indivíduos convivem com essa produção infinita, sendo necessário aprender a avaliar todas essas paisagens criadas pela criatividade humana, sustenta Costa (1999). 
Cada um desses objetos e paisagens desenvolvidos possui uma forma, uma função e um conteúdo, o que exige dos indivíduos uma sensibilidade estética para sua compreensão. Somente assim é possível deixar de ser um observador passivo para se tornar um expectador crítico, participante e exigente.
O campo das artes está invadindo o espaço das mais diferentes atividades, pois as obras não estão mais estritas a ambientes tradicionais, como museus, teatros e galerias. Elas invadem os mais diversos espaços urbanos, sendo que nas grandes cidades convive-se com obras de artes expostas nas ruas, praças, outdoors e muitos outros locais.
De acordo com Costa (1999), quase todos os espaços e atividades apresentam, de algum modo, questões estéticas e artísticas que precisam ser compreendidas. Essa presença da arte em novos ambientes, em formas inimagináveis, invadindo o dia-a-dia dos indivíduos, abre para os artistas um campo imenso de atuação profissional.
Por conseguinte, qualquer que seja a área na qual se atue, como a profissão de educador, certamente, em algum momento, se entrará em contato com a arte.
  Não é mais possível pensar a arte como uma produção restrita a determinados espaços ou como atividades de profissionais especializados, pois ela está por toda a parte, penetrando o cotidiano, sendo que muitas vezes não é percebida porque as pessoas não são educadas para isto.
 
 
Jor. Adelcio Machado dos Santos (MT/SC nº 4155 - JP)
Diretor da Associação Catarinense de Imprensa (ACI)

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