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Egeon, o supercomputador

Mario Eugenio Saturno

Em 8 de outubro último, durante a solenidade de comemoração dos 51 anos da unidade de Cachoeira Paulista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o diretor Clezio De Nardin, juntamente com representantes do MCTI - Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações, anunciou a compra do novo supercomputador para a previsão do Clima, o Egeon.

Nesta unidade do INPE, que já recebe e processa as imagens de diversos satélites, agora receberá também imagens do Landsat 9, satélite de observação da Terra, por conta de um acordo de troca de imagens entre Brasil e Estados Unidos. Cachoeira Paulista também sedia o centro de previsão numérica do tempo e clima e o Laboratório de Combustão e Propulsão de Satélite.

Nessa solenidade foi lançado o Modelo Comunitário do Sistema Terrestre Unificado, plataforma de código aberto e colaborativo, que permitirá que o código do modelo seja compartilhado com pesquisadores de outras instituições. Espera-se que essa participação sem fronteiras traga avanços na modelagem numérica de tempo e clima.

Desde 2017, o supercomputador Tupã, que ainda é usado pelo INPE, corre o risco de parar de funcionar e sem possibilidade de ser reparado. Outro grave problema desse supercomputador antigo é o gasto em energia elétrica, consumindo R$ 5 milhões ao ano para funcionamento e resfriamento. E, por falta de recursos, o INPE desligou seis dos 14 gabinetes prejudicando a previsão que é feita.

Em junho, o INPE comprou um primeiro módulo do novo supercomputador, que custou US$ 729 mil utilizando verba do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), da ONU. Acredite, uma potência como o Brasil precisando recorrer ao estrangeiro para cumprir uma função essencial e estratégica. Mas qual a surpresa? Depois de muito tempo, nossos militares entenderam que precisam de um satélite raar de banda L, mas quando viram o custo desistiram... Os argentinos já fabricaram dois!

Nem parece que temos tantos militares no governo federal, pois é com o Tupã que as equipes do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec) fazem os relatórios sobre a estiagem no Brasil, os alertas da crise hídrica, documentos que são entregues semanalmente ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que sem esses dados deixaria o governo às cegas para gerir a crise. Grandes estrategistas!

A implantação completa do Egeon demorará cinco anos e conta com uma verba de R$ 200 milhões que devem (ou deveriam?) ser liberados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.

Para este ano, espera-se R$ 50 milhões, que permitirá a compra de módulos de processamento de 800 Teraflops e armazenamento de 20 Petabytes (tera é acrônimo para trilhão e peta para quatrilhão e flop é operação em ponto flutuante, aquela notação científica que aprendemos no colégio, e para se ter uma ideia, esse supercomputador é equivalente a cerca de 800 milhões de computadores comuns). Para comparar, o Tupã tem 258 Teraflops. A dúvida é se houve corte dessa verba, com a palavra os senadores e deputados.


Mario Eugenio Saturno (cientecfan.blogspot.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano. 


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