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BASE HISTÓRICA DA EDUCAÇÃO NO MUNDO V I

Jor. Adelcio Machado dos Santos

BASE HISTÓRICA DA EDUCAÇÃO NO MUNDO V I
Jor. Adelcio Machado dos Santos

       Quando a Reforma religiosa dividiu toda a Europa em dois campos antagônicos, a maioria das escolas e muitas universidades aceitavam com certa frieza os estudos humanistas. Os efeitos imediatos da controvérsia religiosa sobre a educação logo se verificaram.
       Em muitos casos, a secularização da propriedade eclesiástica absorveu as dotações das escolas e provocou o desaparecimento de muitas delas.
      As discussões teológicas invadiram a universidade e seguiu-se um período de decadência cultural e de dissolução dos costumes.
      Nos países católicos, a Igreja reteve o controle da educação. A supressão dos abusos eclesiásticos pelo Concílio de Trento e a energia da Companhia de Jesus, fundada por Inácio de Loiola, recuperaram para a igreja a maior parte do sul da Alemanha.
     As universidades eram dirigidas por sacerdotes, e o escolasticismo, expurgado dos exageros, foi restaurado.
    Os métodos de ensino da Companhia de Jesus e seu currículo clássico, elaborado com grande habilidade, amealharam renome.
    O ocaso do século XVII presenciou um verdadeiro renascimento da vida universitária em Cambridge, sobretudo através da obra de Isaac Newton e da crescente atenção dedicada às ciências físicas e às matemáticas, posto que o número de estudantes continuasse bastante reduzido.
   Também na Alemanha inaugurou-se nova era para a educação com a fundação das universidades de Halle, em 1694, e de Göttingen, em 1737, nas quais se combateu a velha concepção de que a função da universidade era transmitir conhecimentos completos, o que proporcionou o advento de uma nova cultura, atraiu numerosos estudantes e espalhou sua influência para outras universidades alemãs.
    Em Halle, iniciou-se um movimento em favor da educação dos filhos dos pobres. Campanhas do mesmo estilo foram realizadas na França e na Inglaterra. Os resultados, porém, não foram compensadores: as amplas massas do povo permaneceram, em toda a Europa, afastadas da cultura.
    Os movimentos intelectuais do século XVIII foram de caráter marcadamente aristocrático. Na França, Voltaire e os enciclopedistas defendiam a ideia de que a educação devia ser reservada a um grupo restrito.
   Tais concepções individualistas não deixaram de exercer influência sobre as classes cultas.
Voltado contra o artificialismo e a superficialidade da educação clássica, Jean-Jacques Rousseau conclamou a um retorno às coisas da natureza.
   Suas ideias não representavam uma simples revolta transitória contra o convencionalismo reinante, mas a expressão exata de um novo estilo de vida e de uma nova educação, que influenciaram profundamente a Europa.
   O seu Émile representou uma verdadeira declaração de direitos da infância.
   Entretanto, sua insistência na eficácia da natureza, evidenciada na teoria de que o homem nasce bom e capaz de encontrar a felicidade, se entregue a seus próprios instintos, mostrou-se muito unilateral.
Kant insurgiu-se contra tais ideias: para ele, o elemento essencial da educação era a coerção, que pela formação dos hábitos preparava o jovem para receber como princípios de conduta as leis impostas de fora.


Jor. Adelcio Machado dos Santos
(MT/SC nº 4155 - JP)

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