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DAS CIÊNCIAS DA COGNIÇÃO À CIÊNCIA COGNITIVA - X V I I

Adelcio Machado dos Santos

O mental é uma parte do cognitivo. Os outros componentes são a percepção e a motricidade, entendendo por isto a programação e a execução do gesto e do movimento).

O cérebro busca informações, principalmente, dirigindo a visão, ouvindo e cheirando. Essa busca resulta da atividade auto-organizada do sistema límbico que envia um comando de busca ao sistema motor. Na medida que o sistema motor é excitado, o sistema límbico envia o que é chamada uma mensagem de referência, alertando todo o sistema sensório para se preparar para responder a uma nova informação.

 Destarte, o cérebro opera sobre impulsos elétricos e trocas envolvendo substâncias químicas. A mente opera sobre símbolos. Para Teixeira (2000), o cérebro é uma máquina complexa resultante da reunião de elementos fundamentais: o neurônio ou unidade básica, as sinapses ou conexões entre os neurônios e as ligações químicas que ali ocorrem, através de neurotransmissores e receptores.

Essas combinações o tornam uma máquina extremamente poderosa, na medida em que são capazes de gerar configurações e arranjos variados num número astronômico.

Contudo, o grande desafio que a neurociência ainda enfrenta é a dificuldade de relacionar o que ocorre no cérebro com aquilo que ocorre na mente, ou seja, de encontrar algum tipo de tradução entre sinais elétricos das células cerebrais e aquilo que o indivíduo percebe ou sente como sendo seus pensamentos.

 Paralelamente às tentativas de explicação da consciência através de vários tipos de máquinas teóricas, a ciência da mente começou a passar por uma grande transformação. Após duas décadas de hegemonia do modelo computacional da mente, as atenções começaram a se voltar novamente para o papel do cérebro como substrato biológico da cognição e da consciência.

Até então a idéia predominante era que a mente seria o software do cérebro, ou que a relação entre psicologia e neurociência seria o mesmo que a relação entre software e hardware respectivamente. Como e onde o software da mente poderia ser implementado constituía, para os funcionalistas, apenas um detalhe técnico. Mais do que uma condição metodológica, a impossibilidade da redução da mente ao cérebro parece ser um limite epistemológico imposto pela situação cognitiva.

Assim, a década do cérebro - os anos 90 - trouxe uma nova maneira de conceber as relações entre as diversas disciplinas que devem compor uma ciência da mente.

Disciplinas como Computação, a psicologia, a Lingüística e a Filosofia, sobretudo a Lógica, aproximam-se cada vez mais da Neurociência. A replicação tecnológica da inteligência e das atividades mentais vem tendo conseqüências profundas sobre o modo como as pessoas concebem a relação entre mente e cérebro. Ela sugere que aquilo que é chamado de mente talvez não seja mais do que um tipo específico de arranjo material, feito a partir de peças de silício.


Jor. Adelcio Machado dos Santos  (MTE/SC nº 4155 - JP).


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